• 16 julho de 2021
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Aceitação

Aceitação é o ato ou efeito de encarar a realidade assim como ela é, sem mascarar ou deturpar. 

Muitas vezes damos à aceitação, de forma completamente equivocada, um peso de inércia, tornando-a uma sentença: “é assim e pronto!”

A aceitação saudável é aquela quando encaramos a realidade como ponto de partida e não de chegada.

A minha realidade, por exemplo, é a de uma mulher que sempre sonhou em ser mãe, engravidou aos 29 anos, se preparou para uma maternidade eficiente, planejou os passos de uma disciplina positiva, assim como demonstrações típicas de afetos e até um repertório para a fase dos “porquês” que as crianças têm. 

Tive o meu bebê tão sonhado que, aos 3 anos, um diagnóstico de TEA (transtorno do espectro autista), autismo. 

Minha realidade nesse dia mudou. Meu planejamento não era mais funcional, mas o amor pelo meu filho era uma realidade infinitamente maior que qualquer roteiro pré-determinado.

Eu tinha duas opções:

1 – Aceitar a realidade como ponto de chegada, me vitimizar e colocar no meu filho um peso desumano por não corresponder às expectativas que a sociedade criou.

2 – Aceitar a realidade como ponto de partida, entender o funcionamento neurológico do meu filho, compreender suas dificuldades e ajudá-lo em adquirir maior independência, potencializar suas habilidades, informá-lo que não é errado ser diferente e enraizar, no coração dele, que ele é perfeito do jeito que é, com todas as suas características. 

 

Todos nós precisamos melhorar em alguma área da vida, aprender sobre nós mesmos, a forma como agimos e reagimos frente às adversidades.  

Todos nós temos dificuldades de comunicação e relacionamento que são moldáveis com autoconhecimento.

Todos nós temos as nossas particularidades, que não têm diagnóstico, mas que são limitantes.

O mundo seria mais acolhedor se oferecêssemos às aceitações a mobilidade necessária para transformações.

As pessoas seriam mais felizes se praticassem a autocompaixão, libertação de crenças limitantes e, sim, aceitação saudável. 

Desejo às mães, típicas ou atípicas, que amem seus filhos como são.  Que os acolham nas dificuldades e celebrem todas as vitórias, porque, grandes ou pequenas, dependem dos olhos de quem vê, reconhecendo e honrando com o trajeto percorrido para vivê-las. 

 

Michelle Carvalho, mãe do Enzo 💙

 

 

*O Grupo Conduzir declara que os conceitos e posicionamentos emitidos nos textos publicados refletem a opinião dos autores.

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