• 11 junho de 2021
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Adaptação Curricular sob o olhar da Análise do Comportamento Aplicada

Um dos maiores desafios impostos pela pandemia tem sido, sem dúvida, o ensino a distância. Pensar em formas e recursos eficientes para se comunicar com as crianças a distância, elaborar conteúdos que pudessem ser acessíveis e, ao mesmo tempo, atrativos e levando em consideração o nível acadêmico de cada criança são alguns dos muitos desafios vividos pelos professores neste momento.

Nesse contexto, o descompasso da aprendizagem de crianças atípicas no ensino regular se tornou ainda mais evidente, surgindo a necessidade de discutirmos a respeito das adaptações curriculares.

No dia a dia de nossas supervisões, temos observado muitas dúvidas de pais e educadores com relação a esse tema, por não compreenderem de fato a quem cabe essa responsabilidade ou mesmo como executar tal processo. 

As Adaptações Curriculares são os ajustes e modificações que devem ser promovidos nas diferentes instâncias curriculares para responder às necessidades de cada aluno e, assim, favorecer as condições que lhe são necessárias para que se efetive o máximo possível de aprendizagem.

Por se tratar de uma demanda Curricular que prioritariamente envolverá os conteúdos a serem ensinados de acordo com o ano e a etapa curricular em que a criança se encontra, essa responsabilidade caberá ao professor da sala de aula regular de ensino. No entanto, isso não isenta a possibilidade da equipe de intervenção multidisciplinar oferecer suporte ao profissional nesse processo. 

O primeiro passo para desenvolver uma adaptação curricular é considerar o repertório do aluno. Para isso, é imprescindível que o professor realize uma avaliação junto à criança para discriminar o que ela já é capaz de fazer, em que ainda demonstra dificuldades e quais são as suas zonas de interesses.  Respeitar o ritmo próprio do aluno e garantir critérios de aprendizagem para avançar no planejamento é fundamental.

O auxílio de um psicopedagogo da equipe de intervenção também poderá ser necessário para que, junto à escola, possam decidir qual o melhor caminho curricular a ser seguido com esse aluno: O aluno seguirá o mesmo currículo da turma, mas com alterações no tempo e no conteúdo? Ou será preciso um currículo totalmente individualizado e paralelo ao da turma?

Depois da decisão sobre o tipo do currículo a ser seguido, a equipe deve planejar a produção do material individualizado, visando prevenir comportamentos inadequados, avaliando continuamente o desempenho a cada passo e, assim, garantindo a aquisição de pré-requisitos.

De acordo com os princípios da Análise do Comportamento para favorecermos o ensino de crianças com TEA, é importante nos atentarmos para o seguinte: 

  1. Realize um planejamento em pequenas etapas. Pense sempre sobre quais são os pré-requisitos para se alcançar determinado conteúdo.
  2. Organize essas etapas em ordem progressiva de dificuldade. Como muitos alunos com TEA apresentam baixa tolerância a frustração, esse procedimento fará com que diminuamos a quantidade de erros.
  3. Estabeleça critérios para a mudança de etapas. Pense sobre qual será o critério para determinar se o aluno se apropriou ou não do conteúdo.
  4. Reduza os enunciados e a quantidade de instrução oferecida à criança. Alunos com TEA apresentam alterações na linguagem, e o excesso de informação pode ser tornar um dificultador para a realização da atividade.
  5.  Apresente menos exercícios por página. Uma página cheia de demandas evoca mais comportamentos opositores e de fuga.
  6.  Dê preferência por atividades de ligar, recortar e colar, pintar, circular, marcar X etc. do que atividades para escrever (dissertativas).
  7.  Inclua temas do interesse da criança em todas as atividades e fazer com que a criança tenha vontade de olhar para a atividade. 
  8. Os conteúdos devem ser reduzidos e simplificados, ou seja, deve-se selecionar apenas conteúdos que tenham função na vida do aluno, que possam ser aplicados ao seu cotidiano e possam ser contextualizados para ele.
  9.  Atente-se para a linguagem utilizada em sala de aula e evite a utilização de instruções com duplo sentido ou mensagens nas entrelinhas. Deve-se evitar uso de metáforas e figuras de linguagem, que são um grande desafio para crianças com TEA.
  10. Utilize recursos audiovisuais, como uma imagem para embasar um texto ou mesmo um vídeo para que a criança compreenda o conteúdo trabalhado. 

 

Karen Lopes Marconato – Coordenadora do Setor de ABA aplicado à Educação.

 

Referências:

Carmo ,J.& Ribeiro, M.J. (2012). Contribuições da Análise do Comportamento à Prática Educacional. Santo André: ESETec.

Fialho, J. (2017). Autismo e Inclusão Escolar: Adaptação de Material. Portal Comporte-se.  Disponível em: https://comportese.com/2017/11/20/autismo-e-inclusao-escolar-adaptacao-de-material. Acesso em: 25 de Abr. 2021.

Orsati, F., Mecca, T. P., Dias, N. M., Almeida, R. P. de, Macedo & E. C. de.  (2015). Práticas para a sala de aula baseadas em evidências. São Paulo: Memnon.

 

 

*O Grupo Conduzir declara que os conceitos e posicionamentos emitidos nos textos publicados refletem a opinião dos autores.

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