• 5 março de 2021
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Adesão: a principal especialidade para a intervenção

O autismo se caracteriza por um transtorno de desenvolvimento que se manifesta precocemente e tem como principal prejuízo o funcionamento social da pessoa acometida. As características são individuais e afetam o modo de viver da criança diagnosticada com o Transtorno de Espectro Autista (TEA), bem como de todos aqueles que com ela convivem.  

A família é o primeiro ambiente de socialização de uma criança e o contexto primário de cuidado, suporte e promoção ao seu potencial de desenvolvimento. O principal contexto de referência da criança engloba aqueles que ela conhece e em que ela se espelha, bem como aqueles que mais a conhecem, ou seja, seus familiares. Por isso conhecer as experiências da família é fundamental para classificar os objetivos de intervenção destinados ao indivíduo com TEA, uma vez que é imprescindível que todos façam parte de todo o trabalho. 

Intervenções efetivas são de caráter intenso e consistente. Exigem alterações na rotina e na dinâmica daqueles com quem o indivíduo convive. Os horários são comprometidos em grande parte dos dias, as viagens precisam ser muito bem planejadas, as programações precisam ser organizadas, e o dia a dia é caracterizado por diversas demandas voltadas para o desenvolvimento em todos os ambientes.

É única e especial a maneira que uma família pode colaborar para o desenvolvimento da criança em seus diversos contextos – terapias, escola, natação, futebol, entre outros. E é ela que age como o termómetro do tratamento, medindo a eficácia das intervenções para comportamentos que os familiares observam diariamente, como fala, socialização, atividades domésticas e autonomia. O engajamento e interesse dos pais reflete na segurança, motivação e desempenho das crianças, uma vez que elas são expostas, trabalhadas e exigidas da mesma forma em todos os ambientes e por todos que convivem com ela.

Em paralelo, é de suma importância o estabelecimento de vínculo e confiança entre todos os profissionais que assistem o indivíduo, englobando desde a referência da família até os outros diversos ambientes em que a mesma está inserida. Somente dessa maneira é que se tornará possível direcionar de forma fidedigna todas as necessidades e peculiaridades da criança, trabalhando para cada indivíduo exatamente como ele precisa. 

Sendo assim, como já citado, o autismo é individual e único para cada pessoa acometida. E a participação da família no tratamento é primordial e considerada um dos métodos mais efetivos de intervenção.

 

 

Referências

BORBA, L.O.; PAES, M.R.; GUIMARÃES, A.N.; LABRONICI, L.M.; MAFTUM, M.A. 2011. A família e o portador de transtorno mental: dinâmica e sua relação familiar. Revista da Escola de Enfermagem da USP, 45.

FRANCO, V. 2016. Tornar-se pai/mãe de uma criança com transtornos graves do desenvolvimento. Educar em Revista, 59.

LOPES, A.F.S.P. 2015. As Necessidades e Redes de Apoio de Famílias de Pessoas com Perturbação do Espectro do Autismo. Lisboa, Portugal. Dissertação de Mestrado. Universidade Nova de Lisboa, 111 p.

SILVA, J.R.S.; ASSIS, S.M.B. 2010. Grupo focal e análise de conteúdo como estratégia metodológica clínica-qualitativa em pesquisas nos distúrbios do desenvolvimento. Cadernos de Pós-Graduação em Distúrbios do Desenvolvimento10.

 

Fernanda Dib
Psicóloga e Supervisora ABA – Grupo Conduzir
CRP 06/124310

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