• 16 abril de 2021
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Apraxia e ABA

O que é apraxia de fala? 

Apraxia é um distúrbio motor (neurológico-funcional), que afeta os movimentos. Apraxia de fala é o mesmo distúrbio só que afeta especificamente a produção dos sons da fala, uma vez que os parâmetros espaço-temporais dos movimentos da fala estão comprometidos. É um distúrbio instável, dinâmico e que pode persistir até a idade adulta (American Speech-Language-Hearing Association, 2007). 

 

Quem diagnostica apraxia?  

A fonoaudióloga é essencial para o diagnóstico, mas também é preciso uma avaliação interdisciplinar. Portanto, outros profissionais devem compor este processo, como médicos pediatras (neuropediatras, geneticistas), terapeuta ocupacional, entre outros (Von Atzingen 2002).

 

Quem trata apraxia? 

O fonoaudiólogo é o profissional mais capacitado para o tratamento da apraxia, porém terapeutas ocupacionais trabalhando a consciência corporal e integração sensorial e um psicomotricista também ajudam muito. 

O tratamento direto com apraxia de fala deve ser intensivo, exigindo muitas repetições e análises de resultados (Keske-Soares, 2018). 

 

O que é ABA? 

É uma ciência cujas intervenções derivam dos princípios do comportamento e possui como objetivo aprimorar comportamentos socialmente relevantes (Council of Autism Service Providers, 2020).

 

Terapeuta ABA pode trabalhar a fala? 

Sim, desde que orientado pelo profissional mais capacitado para o trabalho da apraxia de fala, que é o fonoaudiólogo. Sendo assim, como o fonoaudiólogo orienta a família a executar os treinos em casa dando muitos modelos de como fazer, ele também pode orientar terapeutas ABA para executar os treinos em suas sessões. 

 

Quais as vantagens de terapeutas ABA realizarem trabalho com a fala da criança? 

  1. Um dos focos do terapeuta ABA é estudar e intervir sobre o comportamento verbal. Portanto, pode ajudar a minimizar as dificuldades de comunicação ocasionadas pela apraxia de fala.
  2. A frequência dos atendimentos ABA é diária, o que dá mais consistência ao trabalho com a fala, permitindo mais treinos. 
  3. O trabalho com apraxia deve ser bastante criterioso, e os analistas do comportamento fazem um controle muito bem feito, colaborando nos registros comportamentais e mapeando a evolução do caso. 
  4. Poderão colaborar no levantamento de palavras necessárias para o dia a dia, já que trabalham também com a comunicação e estão atentos às atividades da vida diária da criança em casa, na escola e em outros ambientes sociais da criança.

 

Dessa forma fazemos no grupo conduzir. Por muitas vezes o convênio não libera tantas horas de terapia fonoaudiológica. Sendo assim, como o comportamento verbal também é uma área da ABA, é de seu interesse que a topografia da fala esteja correta para a comunicação ser mais efetiva. 

Quando os atendimentos de ABA colaboram diariamente nos treinos, a criança melhora muito mais rápido, podendo o fonoaudiólogo adicionar as palavras a serem treinadas mais rapidamente. 

 

Cabe aqui reforçar os pontos a serem observados quando terapeutas ABA realizam os treinos:

Topografia do modelo a ser dado (entonação do modelo, tônica da palavra, velocidade, amplitude articulatória, volume e frequência): O fonoaudiólogo identifica em sessão qual o modelo que o terapeuta deverá dar para aumentar a chance de acerto da criança.

Função da fala (imitação vocal, tato, pedido, comentário, resposta, completar): Dado que cada função passa por uma área específica do cérebro (Altmann, Silveira & Pagliarin, 2019), esse critério deve ser levado em consideração. Por exemplo, às vezes a criança produz a palavra espontaneamente como tato, mas não a emite em imitação vocal. 

– Critérios de acerto da produção da criança: O fonoaudiólogo deverá enviar modelo por vídeo, usando escrita fonética para deixar bem claro ao terapeuta o que deve considerar de acerto para reforçar a criança.    

Identificação de distorções: Muitas vezes se aceita distorções de fala como acerto, dependendo do prognóstico de cada caso, e isso deve ser passado ao terapeuta. 

Dicas e esvanecimento de dicas: Muitas dicas, que julgamos ser dicas, podem dificultar a produção de fala da criança, e isso é muito pessoal. Sendo assim, o fonoaudiólogo deverá deixar bem claro qual o tipo de dica que deve ser dado ou não.

Tipo de treino: Muitas vezes o treino deverá ser realizado em DTT, porém treinos incidentais são essenciais para que a fala seja levada para a fala espontânea, o que é mais difícil para a criança com apraxia ou qualquer outra alteração de fala.  

 

Referências:

Altmann, R. F., Silveira, A. B., & Pagliarin, K. C. (2019). Intervenção fonoaudiológica na afasia expressiva: revisão integrativa. Audiol., Commun. Res. [online], , vol.24 .

American Speech-Language-Hearing Association. (2007).

Council of Autism Service Providers. (2020). Applied Behavior Analysis Treatment of Autism Spectrum Disorder: Practice Guidelines for Healthcare Funders and Managers, 2nd ed. Disponível em: casproviders.org/wp-content/uploads/2020/03/ABA-ASD-Practice-Guidelines.pdf

Keske-Soares, M. et al.(2018). Desempenho de crianças com distúrbios dos sons da fala no instrumento “Avaliação dinâmica das habilidades motoras da fala”. CoDAS [online]. vol.30, n.2.

Von Atzingen, B.S. (2002). Apraxia de desenvolvimento: aspectos diagnósticos. Pró-Fono,(14):39-50.

 

Fonoaudióloga Tassiana Barbeiro Fragoso de Sá
CRFa 2-16625

 

*O Grupo Conduzir declara que os conceitos e posicionamentos emitidos nos textos publicados refletem a opinião dos autores.

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