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Autismo e Comorbidades

Quando se fala em diagnóstico de TEA é muito comum o questionamento com relação a possíveis comorbidades. Mas o que são comorbidades?

Comorbidade significa a presença de uma associação entre condições, em um mesmo indivíduo simultaneamente. Ou seja, uma mesma pessoa possuir múltiplos diagnósticos, ou diferentes quadros clínicos em operação. O autismo pode sim vir acompanhado de comorbidades, ou até mesmo ser uma comorbidade de outros transtornos neuropsiquiátricos ou do neurodesenvolvimento. De qualquer forma, essa associação de condições tende a deixar o transtorno mais severo.

Uma criança que tem diagnóstico de TEA, por exemplo, e que também apresenta um quadro de TDAH (transtorno do déficit de atenção e hiperatividade) e apraxia da fala, apresenta estas duas últimas condições como comorbidades, uma vez que se associam à primeira (TEA), sendo que uma agrava a condição da outra quando encontradas em um mesmo indivíduo.

Partindo do princípio de que a presença de uma condição, piora a condição inicial da outra, o indivíduo pode apresentar um maior déficit nas interações ambientais e menor engajamento na escola e nas respostas às terapias. Assim, as comorbidades podem dificultar o diagnóstico e comprometer prognóstico do indivíduo.

De acordo com Neto et al. (2019), comumente incluem-se ao quatro de TEA as seguintes comorbidades: a) psiquiátricas e cognitivas, tais como ansiedade, depressão, transtorno de déficit de atenção e deficiência intelectual; b) médicas, como convulsões, distúrbios do sono, desregulação/anormalidades gastrointestinais e epilepsia.

Garcia (2016), expõe que 15% a 20% dos indivíduos diagnosticados, em seu estudo, apresentaram comorbidades genéticas ou ambientais. As ambientais englobam eventos ocorridos durante o parto. As genéticas indicam fator de hereditariedade, e dados coletados em um estudo na Suécia demonstram que 52,4% dos indivíduos diagnosticados  com TEA apresentam tal fator. Em outro estudo, apresentado pela mesma autora, a taxa de hereditariedade foi de 76%.

Pesquisas desenvolvidas por Moreira (2012) apontam que, dentre as comorbidades psiquiátricas mais comuns, se encontram: a ansiedade, presente em cerca de 42% a 56% dos indivíduos com TEA; a depressão, em cerca de 12% a 75%; o transtorno obsessivo-compulsivo, em 7% a 24%; o Transtorno Opositor – Desafiador (TOD), surge em 16% a 28%; o Abuso de substâncias psicoativas, em menos de 16%; e os Transtornos alimentares, em 4%. Sendo que, além disso, cerca 45% dos indivíduos diagnosticados com TEA apresentam déficit no desenvolvimento intelectual. A mesma autora ainda expõe que aproximadamente 70% dos sujeitos com TEA apresentam também algum nível de perturbação mental, e que 40% deles pode ter duas ou mais comorbidades.

Por vezes, a comorbidade neurológica é mais séria que o próprio TEA e acaba por interferir em seus sintomas e comprometer o tratamento, por isso é tão importante identificá-las corretamente de forma precoce e tratá-las. E por isso o uso de medicação é feito, a fim de controlar os sintomas e melhorar o engajamento do paciente ao tratamento, melhorando suas respostas às terapias.

O tratamento deve adotar uma linha multidisciplinar, visando amenizar os efeitos do autismo e suas comorbidades, e contribuir com uma melhor qualidade de vida para o indivíduo e familiares. Os profissionais geralmente envolvidos são: psiquiatra, neurologista, geneticista, pediatra, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, psicopedagogo e psicólogo analista do comportamento.

 

Marcela Silva

Psicóloga e Supervisora ABA – Grupo Conduzir

CRP 06/131796

 

Referências:

Barros Neto, Sebastião Gonçalves de, Brunoni, Decio and Cysneiros, Roberta Monterazzo Abordagem psicofarmacológica no transtorno do espectro autista: uma revisão narrativaCad. Pós-Grad. Distúrb. Desenvolv., Dez 2019, vol.19, no.2, p.38-60. ISSN 1519-0307.

Garcia, Aline Helen Corrêa et al. Transtornos do espectro do autismo: avaliação e comorbidades em alunos de Barueri, São PauloPsicol. teor. prat., Abr 2016, vol.18, no.1, p.166-177. ISSN 1516-3687.

Moreira, D. P. Estudos de comorbidades e dos aspectos genéticos de pacientes com transtorno do espectro autista.  Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo. Revista Psicologia: Teoria e Prática, 18(1), 166177. São Paulo, SP, jan.abr. 2012. ISSN 15163687 (impresso), ISSN 19806906.

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