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Autismo e doença psiquiátrica

É bastante comum para nós, terapeutas comportamentais, que lidamos com indivíduos com autismo, o conflito em definir o próprio autismo do ponto de vista da psiquiatria em contraposição à teoria comportamental. Para a psiquiatria, os comportamentos inadequados socialmente são muitas vezes definidos apenas como sintomas subjacentes de uma doença a ser diagnosticada. Em contrapartida, para a Análise do Comportamento o cerne do que seria definido como uma “doença psiquiátrica” é a ocorrência de comportamentos inadequados socialmente.

Comportamento Inadequado Socialmente X Autismo

Cabe esclarecer que a definição de “comportamento inadequado socialmente” depende do contexto social em que tal indivíduo está inserido. Um comportamento socialmente inadequado é definido como comportamento que tem probabilidade bastante reduzida de ser reforçado pela comunidade em que tal indivíduo está inserido.
É o exemplo de uma criança autista que apresenta comportamentos auto-estimulatórios (as chamas estereotipias) tais como “flapping”, agitações motoras diversas, falas repetitivas, entre outros. Tal indivíduo terá uma probabilidade muito pequena de ser reforçado, ou seja, de ter uma mediação adequada e obter reforçadores pela comunidade verbal que o rodeia. Em outras palavras, uma criança que apresente, por exemplo, “flapping” no shopping normalmente evocará que outros indivíduos se afastem impedindo qualquer contato e diminuindo drasticamente a possibilidade de atenção ou obtenção de qualquer outra consequência agradável – brincadeira, interação, entrega de um item especifico, etc.

Principal preocupação das famílias de indivíduos autistas

Tendo em vista que a principal preocupação das famílias de indivíduos com autismo é a possibilidade de independência e “felicidade” na vida adulta, tal deve também ser o principal objetivo da intervenção terapêutica. Para isso, o terapeuta deve identificar tais comportamentos, realizar a análise funcional das contingências que o mantém e, então, determinar as alterações ambientais necessárias para alterá-los.
Interessante notar que, muitas vezes, após o desenvolvimento de tais objetivos o indivíduo, que antes era definido como portador de um determinado diagnóstico, pode passar a não preencher mais os quesitos para tal classificação. Em geral, isso tende a ser visto como uma cura, tendo em vista a visão da existência de uma doença. Entretanto, para nós, terapeutas comportamentais, tal reclassificação significa apenas a comprovação de que comportamentos não são meramente sintomas, mas sim o objeto da intervenção terapêutica.

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