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Autismo e a nova professora

O início do ano letivo, para a grande maioria das mães de crianças com autismo, é um período de insegurança, medo, incerteza, expectativas… 

Anseios que talvez não façam parte da vida das mães de crianças típicas, como, por exemplo:

E se pintaram a escola de uma cor que seja aversiva para ele?

E se a nova sala de aula tiver um ventilador que tomará a atenção do meu filho, fazendo com que ele não aprenda de forma consistente?

E se trocaram as luzes por aquelas lâmpadas que piscam?

E se sofrer bullying sem saber ao menos como comunicar que algo está errado?

E se a nova professora não souber lidar com ele?

É preciso muita parceria entre pais e escola. É um time que joga junto em prol do desenvolvimento daquele aluno de inclusão.

Todos os anos, no início do ano letivo, eu procuro conhecer a professora pessoalmente, solicito uma reunião e explico quem é o meu filho, com as suas infinitas qualidades, preferências, particularidades, enfatizo mil vezes a falta de noção de perigo, digo um pouco sobre a nossa história, sobre o autismo, passo o endereço do meu blog (fico na torcida para que leiam) e oro a Deus para que tudo dê certo. 

Coloco-me à disposição para qualquer coisa e fico “plantada” na escola na primeira semana de aula, ou até que a adaptação esteja completa, praticamente esperando para acalmar um tornado rs. 

Sei que nem sempre é possível fazer essa reunião com a professora logo no início, uma dica bem eficiente, nesse caso, é escrever uma carta a ela.

Já precisei usar essa estratégia e o retorno foi excelente. Escrevi como se fosse o meu filho dizendo:

“Oi, professora!

Meu nome é Enzo, sou uma criança cercada de amor, sou muito feliz, alegre, saudável, determinado e posso aprender tudo que quiser me ensinar, talvez só precise me ensinar de uma maneira diferente.

Ajuda muito se usar as músicas que eu gosto, os personagens do Super Wings, as propagandas (eu amoooo vinhetas). Mamãe disse que, se quiser, pode te dar uma lista das minhas propagandas favoritas.

Costumo ser um pouco literal, por isso, tente dizer exatamente o que devo fazer. Os comandos curtos eu entendo mais facilmente.

Eu amo abraços, mamãe diz que eu sou forte, por favor, me ajude a perceber se estou abraçando forte demais.

Preciso que me lembre de ir ao banheiro a cada 50 minutos e também que me auxilie em todo o processo, estou aprendendo a fazer sozinho, mas ainda preciso de ajuda.

Eu não tenho nenhuma noção de perigo, NENHUMA, essa é a maior preocupação da mamãe. Posso contar com você para me ajudar e me proteger?

Alguns barulhos me incomodam, preciso tampar os ouvidos e, quando estou muito feliz, dou os meus pulinhos e digo “diiiiiii”, é que a alegria é tanta que preciso me organizar.

Sei que seremos bons amigos e vou te surpreender.

Mamãe diz sempre que sou prioridade para ela, por isso, qualquer dúvida, alteração de humor minha ou alteração de comportamento, ligue para ela. Tenho certeza que ela vai resolver com o maior amor do mundo.

Obrigado.

Beijos 

O importante é saber que a escola e a família devem andar de mãos dadas e falar a mesma língua, assim o desenvolvimento da criança será mais consistente e diário.

Michelle Carvalho

Mãe do Enzo

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