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Autismo e seu espectro

Antes de ter um filho com Autismo eu não sabia nada sobre o assunto. Imaginava que autistas eram aqueles representados nos filmes, um rótulo limitante. Um transtorno severo que tira a capacidade do ser humano de se comunicar, de socializar, de ter controle sobre os próprios movimentos e principalmente com uma incapacidade de amar. 

Quando meu filho começou a perder habilidades já desenvolvidas eu nem desconfiava de Autismo. Imaginava que todos os autistas já nasciam com limitações gritantes e que existiam exames que detectassem o transtorno. Acreditava que muito provavelmente algum dos inúmeros exames que o bebê faz ao nascer, ou até mesmo no pré natal, já teriam avisado alguma alteração neurológica.

No âmbito científico, um espectro é uma representação das amplitudes ou intensidades.

Hoje sei que existe um espectro autista gigantesco e, assim como na ciência, também determina diferentes “intensidades”, desde o nível mais severo (com limitações importantes motoras, sensoriais, cognitivas), até o nível mais leve (com o cognitivo preservado e altas habilidades).  

Hoje sei que não é uma sentença e acima de tudo é mutável! O indivíduo pode transitar dentro do Espectro Autista, adquirir habilidades, potencializar talentos.

Vi crianças, aparentemente com o desenvolvimento típico, perderem habilidades e desenvolverem o Autismo. Vi crianças autistas, que não falaram nada até os 8 anos de idade, se tornarem palestrantes fantásticos. Vi autistas severos com muitas limitações físicas e cognitivas se desenvolverem e transitarem dentro do espectro se tornando adultos com Autismo leve.

Hoje sei que não existe um autista igual ao outro e nem sempre a estratégia traçada para o desenvolvimento de um funciona para o desenvolvimento de outro, exatamente por existir um espectro autista e por serem indivíduos únicos.

Aprendi que o Autismo é só uma das inúmeras características do meu filho. Ele não é definido pelo diagnóstico, mas sim, por sua complexidade como ser humano completo que é.

Aprendi que não existe Autismo leve o suficiente que não leve à exaustão e nem Autismo severo o suficiente que seja mais forte que o amor.

Aprendi que não importa em qual “nível” esteja o indivíduo dentro do espectro, uma rede de apoio é sempre fundamental. Profissionais, família, amigos, escola.

E acima de tudo, já me deparei algumas vezes com pessoas patologicamente incapazes de amar e NENHUMA dessas pessoas era Autista. E essa foi minha maior lição: Autistas amam, amam, amam, amam… Profundamente e em diferentes “níveis” amam!

Michelle Carvalho,
Mãe do Enzo 

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