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Autismo no Brasil vs. Autismo nos países desenvolvidos

Existe uma diferença enorme entre receber um diagnóstico de Autismo no Brasil ou recebê-lo em alguns países mais desenvolvidos, já começando pelo próprio diagnóstico em si. 

Em alguns países desenvolvidos como Estados Unidos, Austrália, França, Holanda e outros, quando há suspeita de TEA (Transtorno do Espectro Autista) em alguma criança, o caso é analisado e investigado por uma equipe multidisciplinar que se comunica entre si e fecham juntos um diagnóstico correto. Dificilmente um profissional vai ficar empurrando a responsabilidade de um diagnóstico tão importante e com relevante fechamento precoce para outro profissional ou para o tempo, como infelizmente é comum em relatos que aconteceram no Brasil.

O tratamento nos países desenvolvidos, com todas as intervenções necessárias para que o indivíduo seja o mais independente possível (psicólogas especialista em análise do comportamento, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, etc.), assim como os exames excludentes, são todos subsidiados pelo governo.

O governo dos países desenvolvidos oferece real apoio financeiro para as famílias melhorando a qualidade de vida, tanto do autista como das mães e pais que se desdobram para acompanharem de perto a evolução dos seus filhos. No Brasil, para a família receber o LOAS (Benefício Assistencial), no valor de 1 salário mínimo para indivíduos com autismo, oferecido pelo governo, a renda total familiar deve ser inferior a 1/3 do salário mínimo, ou seja, a família deve viver em miserabilidade para garantir um salário mínimo, sem direito a décimo terceiro.

Em relação a inclusão escolar a diferença também é gigantesca. Os professores recebem capacitação em sua formação acadêmica, além de reciclagens periódicas. As escolas fazem naturalmente uma inclusão efetiva. O plano de desenvolvimento individual de cada aluno (típico ou atípico) é realmente aplicado e analisado para estabelecer estratégias de desenvolvimento daquele aluno. No Brasil não são todas as escolas que aplicam esse PDI (Plano de Desenvolvimento Infantil) e algumas aplicam como uma espécie de escudo de escolas pseudo inclusivas somente com o objetivo de impressionar aos pais dos alunos. Na maioria dos casos, esse plano acaba indo para a gaveta.

As crianças que estudam nas escolas desses países desenvolvidos crescem acostumadas com as diferenças, aprendem a respeitá-las e se tornam adultos mais empáticos. 

Adultos mais empáticos, por sua vez, são criadores de ações inclusivas em todos os âmbitos da sociedade.

Em qualquer lugar que chegar e informar a condição Autista, as pessoas mesmo não sendo especialistas, já tem uma noção do que se trata e de como se portarem em relação a isso, sabem das limitações e dificuldades.

Existe um supermercado na Austrália que criou a “hora do silêncio”. Em um determinado horário previamente divulgado, as luzes do local são reduzidas, o trânsito de funcionários se torna praticamente inexistente e o barulho dos caixas são desligados, assim como o som ambiente, para que os adultos autistas consigam fazer suas compras de forma independente, sem se desorganizarem por tantos estímulos externos, e claro, as mães com crianças autistas também se beneficiam.

Na Holanda, Estados Unidos e alguns outros países desenvolvidos existe a moradia assistida. São condomínios fechados com suporte de equipes multidisciplinares (psicólogos, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, psiquiatras, etc.) que auxiliam os autistas adultos numa vida independente, em que moram sozinhos e aprendem diariamente tarefas cotidianas. Possuem uma rotina bem organizada, definida e monitorada.

É com tristeza, como mãe e como cidadã brasileira, que escrevo esse texto descrevendo essas discrepâncias extremas, diferenças tão determinantes em uma expectativa de vida independente dos nossos filhos. Mas como todo bom brasileiro que não desiste nunca, insisto em ter esperança de que um dia os autistas brasileiros e suas famílias serão igualmente respeitados, estimulados e potencializados, assim como são os autistas estrangeiros. 

Michelle Carvalho,
mãe do Enzo 

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