• 4 julho de 2018
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  • Autismo

Como pais podem brincar com seus filhos com TEA

Desde sempre, as brincadeiras, jogos, e brinquedos fazem parte do mundo das crianças. A brincadeira, além do aspecto lúdico, possibilita o desenvolvimento da criatividade e da interação das crianças com seus pares, desenvolvimento de diferenciação das emoções, além de ser vista como experiência de cultura e forma de expressão.
O processo de brincar com crianças de desenvolvimento típico ocorre de forma natural, ou seja, na interação com adultos e pares ela aprende a agir com os objetos de forma lúdica e compartilhar as atividades, dando para cada brinquedo a função apropriada.

Como brincar com crianças com autismo

Já com as crianças diagnosticadas com autismo, o processo ocorre de maneira diferente, uma vez que, em geral, as brincadeiras imaginativas estão ausentes ou apresentam acentuado prejuízo. Nestes casos, há ausência de reciprocidade social, tendo a tendência de não se envolverem espontaneamente em brincadeiras com os pares, e quando se envolvem, acabam realizando de maneira mecânica ou fora do contexto.
Como não se expõem com frequência a estas situações, tornam-se escassas as possibilidades de estabelecimento de relações de amizade com outras crianças. Tais habilidades necessitam de repertórios que comumente chamamos de iniciativa e criatividade.
Como as crianças com TEA apresentam normalmente déficit acentuado em relação às habilidades sociais, como por exemplo a empatia, dificuldade de iniciar brincadeiras e responder aos pares, todo esse repertório acaba ficando defasado. Todas essas características podem dificultar também a interação com a família e os pais acabam apresentando dificuldade em brincar com seus filhos ou fazer com que eles fiquem engajados durante os momentos de brincadeira.

Diante dessa realidade, como os pais podem ajudar no desenvolvimento do repertório de brincadeira de seus filhos?

Pensando na importância que a interação social exerce no desenvolvimento infantil, é necessário salientar a relevância da participação dos pais nas situações que favorecem tais interações, e que muitas das vezes ocorrem através do brincar. Os pais, além de servirem como modelo, devem desempenhar um papel de mediador no brincar dos filhos com os objetos e pares, favorecendo e estabelecendo condições para que essas interações ocorram de maneira funcional.

Existem diferentes tipos de brincadeiras e maneiras de brincar. Entres eles:

  • O brincar independente – criança engaja em atividades com objetos ou em uma ação de maneira independente, sem requerer a presença de outro indivíduo. Em muitos casos, as crianças não sabem brincar com o objeto disponibilizado pelo adulto, e os pais devem aproveitar desses momentos para ensinar a criança a como utilizar aquele objeto de maneira funcional.
  • O brincar funcional – envolve usar objetos de um modo que é apropriado a sua função. Ex: andar com carrinho na pista, voar avião, chutar a bola.
  • O brincar simbólico e jogos imaginativos – usar um objeto como se fosse outro, atribuindo propriedades e características que este não possui, ou referindo-se a objetos que não estão presentes no ambiente (utilizar pá como se fosse telefone, canela como canudo no copo, pagar compras com dinheiro inexistente, etc.).
  • O brincar “faz de conta” – envolve atividades de troca de papéis na qual a criança interage com outra desenvolvendo papéis relativos a um tema particular (brincar de médico, professor, casinha…).

Confira o vídeo que fala de como pais podem brincar com seus filhos com TEA

A Supervisora do Grupo Conduzir, Caroline Espíndola, explica no vídeo abaixo os principais pontos desse assunto.
[https://youtu.be/2e6VjkgvOuU]

Além dessas formas de brincar, existem diversos jogos que se distinguem pelas suas funções: jogos verbais (envolvem palavras e músicas), jogos construtivos (envolve montagem de peças e blocos, desenhos, quebra cabeça e outros), jogos motores (envolve movimentos físicos como pular corda, correr atrás do colega, entre outros), e jogos de regras (brincadeiras regradas, jogos de tabuleiro).
Independentemente do tipo de brincadeira ou jogo a ser realizado com a criança, o mediador é fundamental para auxiliar e ensinar a criança a ser reforçada naturalmente pelas brincadeiras, prestando a ajuda necessária para que o brincar aconteça e aos poucos, conforme a criança vai ampliando esse repertório, a ajuda deve ser gradualmente esvanecida até chegar, quando possível, a um nível de independência no brincar, principalmente com os pares e indivíduos.
Por fim, vale salientar que o brincar entre pais e filhos favorece a aproximação na relação entre os mesmos, além das vantagens ao desenvolver habilidades importantes para adaptação da criança na sociedade, diminui os comportamentos estereotipados, possibilita a escolha e iniciação por parte da criança e propicia o desenvolvimento da linguagem.
Também ajuda na redução de comportamentos problemas, contribuindo com o desenvolvimento do repertório de tomada de decisões, resolução de problemas, e principalmente aumenta a interação social com adultos e pares da mesma idade, promovendo a inclusão nos diferentes ambientes.

 

Referências Bibliográficas:

  • Oliveira, G. E., Silva, E. C., & Elias, N.C.  O brincar no desenvolvimento da criança com autismo: uma revisão bibliográfica. In: ANAIS DO CONGRESSO BRASILEIRO DE EDUCAÇÃO ESPECIAL, 2014, São Carlos.
  • Kluliewcz, P. Procedimentos para promover habilidades relacionadas ao brincar em crianças diagnosticadas com autismo. 2007. 109 f. Dissertação (Mestrado em Psicologia experimenta: Análise do comportamento) – Programa de pós graduação em Psicologia Experimental, PUC-SP, São Paulo, 2007.
  • Martins, A. D. F.,  Góes, M. C. F. Um estudo sobre o brincar de crianças autistas na perspectiva histórico-cultural.

 

*O Grupo Conduzir declara que os conceitos e posicionamentos emitidos nos textos publicados refletem a opinião dos autores.

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