• 20 junho de 2018
  • admin
  • Autismo

Como a previsibilidade pode auxiliar no manejo de comportamentos do dia-a-dia

Um princípio importante que norteia a prática do analista do comportamento se refere a noção de previsão e controle. É possível prever um comportamento se eu o conheço e se consigo estabelecer hipóteses do porquê que ele ocorre e desta forma, sou capaz também de modificá-lo.
Esse é o objetivo diário do terapeuta comportamental e é o que nos auxilia na construção de objetivos terapêuticos, bem como na orientação dos pais no que diz respeito a diferentes comportamentos do indivíduo com TEA.

Mas porque é preciso prever comportamentos? Como isso ajuda no tratamento do meu filho?

A importância da previsibilidade e controle dos comportamentos dos indivíduos com TEA se dá considerando dois diferentes objetivos: diminuição de comportamentos considerados de difícil manejo e ensino de novas habilidades.
Por exemplo, se eu identifico que meu filho apresenta dificuldades para cortar o cabelo por uma questão sensorial como, contato do pente com os fios de cabelo, barulho da tesoura, os cabelos caindo sobre os ombros… Isso me dá dicas de que, na próxima vez (previsão) que ele for exposto a esta condição, comportamentos como choro, mordida, bater no outro e tentativa de fuga irão acontecer novamente.
Essa previsão permite ao terapeuta construir um plano de intervenção (controle) focada na prevenção destes comportamentos, como:

  • Encenar a situação do corte de cabelo em um contexto lúdico, afim de que a criança se adapte com as etapas dessa atividade.
  • Parear o som da tesoura com uma situação agradável para a criança (por exemplo, enquanto ela estiver jogando no Ipad, ou cantando sua música preferida o adulto pode manusear a tesoura fazendo sons concomitantemente)
  • Selecionar reforçadores que serão contingentes a realização do corte (por exemplo, após o corte a criança pode ir ao parque, escolher sua guloseima favorita)
  • A criança pode, inclusive, cortar o cabelo enquanto realizar uma atividade que gosta (ex: brincar com a massinha, assistir um desenho)
  • A sensibilidade do cabelo cortado sobre os ombros pode ser minimizada utilizando uma base ou escova que retire os fios de cabelos ou, em alguns casos, a criança pode ser ensinada a retirar os próprios fios que caem sobre ela assoprando-os ou passando a própria escovinha.

Como trabalhar com a previsibilidade?

Antes de construir uma intervenção para um dado comportamento, é necessário conhecer esse comportamento, isto é, identificar quando ele ocorre e o que acontece quando ele ocorre. Está aí a importância dos pais e dos próprios terapeutas de realizar registros com essa finalidade (você pode ler mais sobre isso no texto Como descobrir a função dos comportamentos das crianças?).
No exemplo citado acima, o terapeuta, além de identificar uma possível sensibilidade sensorial, poderia identificar que com o choro, o cabeleireiro se afasta, retira a tesoura e a família desiste do corte, muitas vezes deixando para fazê-lo quando o indivíduo já está dormindo. No entanto, essas são estratégias que não ensinam comportamentos, mas nos fazem esquivar das dificuldades que essas condições nos oferecem.
Se você pai, escola ou cuidador, identificam alguma dificuldade no manejo de determinados comportamentos, entre em contato com o seu terapeuta comportamental e peça auxilio para a construção de registros e de um plano adequado. E lembre-se que, quando bem planejada e seguida, a intervenção tem muito mais chances dar certo.

 

Referências Bibliográficas:

 

*O Grupo Conduzir declara que os conceitos e posicionamentos emitidos nos textos publicados refletem a opinião dos autores.

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