• 1 março de 2018
  • admin
  • Autismo

Lidando com os comportamentos disruptivos de crianças com autismo

Uma das principais queixas apresentadas pelos pais de indivíduos com autismo e seus educadores é a emissão de comportamentos disruptivos que geralmente são difíceis de lidar.

Entendendo os comportamentos disruptivos de crianças com autismo

Topograficamente, o que chamamos aqui de comportamentos disruptivos, são respostas indesejadas emitidas pelas crianças, como as birras (se jogam no chão, gritam, choram), agressões (agridem os pares ou figuras de autoridade), autolesivos (batem a cabeça, se mordem), estereotipias (respostas repetitivas com função autoestimulatória), entre outras. Esses comportamentos indesejados podem afetar o aprendizado, a interação social, o bem-estar e a saúde das crianças com autismo.

Por que essas respostas são emitidas com tanta frequência?

Os comportamentos disruptivos geralmente aparecem diante de situações em que o indivíduo tenta ganhar atenção social, se esquivar ou fugir de determinada demanda, ter acesso a algum item reforçador ou também para escapar de estimulação indesejada (como barulho, por exemplo).
Quando essas respostas, com diferentes funções, são emitidas e reforçadas, ou seja, quando as crianças conseguem aquilo que querem após a emissão de tais respostas, há grande probabilidade dessa criança voltar a se comportar da mesma maneira no futuro, em situações parecidas com as que foram anteriormente reforçadas.
Por esse motivo, pais percebem que seus filhos se comportam de uma maneira indesejada em diferentes momentos, mas como muitas das vezes, não sabem exatamente como lidar com esses comportamentos, eles voltam a ocorrer aumentando sua frequência e em vezes, sua intensidade.

Confira o vídeo que fala de como lidar com os comportamentos disruptivos de crianças com autismo

A Supervisora do Grupo Conduzir, Caroline Espíndola, explica no vídeo abaixo os principais pontos desse assunto.
[https://youtu.be/wUnj7LutYjk]

O que deve ser feito quando as crianças se comportam de maneira indesejada?

Primeiramente, é necessário realizar uma análise funcional de cada comportamento indesejado emitido pela criança, identificando os antecedentes e as consequências reforçadoras que mantêm tais respostas.
Terapeutas comportamentais do Grupo Conduzir auxiliam e orientam os pais das crianças em tratamento a como realizarem tais análises. Após feita, é possível saber exatamente a função dessas respostas (se é atenção, fuga e esquiva de demanda, acesso a item, etc).
Considerando tais funções aqui mencionadas, é necessário consequenciar de maneira a alterar tais respostas, sendo exemplos dessas consequências:

  • ignorar os comportamentos disruptivos da criança que recebe atenção (protegendo-a de comportamentos que o coloquem em risco ou machuquem outras pessoas);
  • manter a demanda até que a criança consiga finalizá-la quando a função for fuga/esquiva de demanda (manipulando reforçadores);
  • fazendo um treino de comunicação alternativa para a criança que não consegue vocalizar de maneira adequada o que deseja, ajudando-a nesse caso, a ser compreendida de maneira mais funcional.

Além de intervenções direcionadas às consequências, é possível trabalhar na prevenção de tais respostas, modificando o ambiente que pode alterar a probabilidade da ocorrência de comportamentos indesejados.
Além das já mencionadas, existem diversas estratégias e procedimentos que são aplicados pelos profissionais nas terapias ABA (Applied Behavior Analysis), que diminuem a frequência e intensidade dos comportamentos disruptivos, sempre com o objetivo de criar novos repertórios comportamentais para auxiliar o desenvolvimento das crianças com autismo.

 

Referências Bibliográficas:

 

*O Grupo Conduzir declara que os conceitos e posicionamentos emitidos nos textos publicados refletem a opinião dos autores.

  • Compartilhar essa materia:
Top