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Estímulo da criança além das terapias

Sempre pergunto para mães que já possuem o diagnóstico fechado o que os filhos fazem de intervenções e elas prontamente respondem: Terapia ABA, acompanhamento fonoaudiológico e terapia ocupacional.

Sim, claro! Tudo isso é de extrema importância para a evolução da criança, mas qual estimulação fazem no restante do tempo?

Quando estamos nos preparando para sermos habilitados a dirigir temos um instrutor que nos ensina, nos dá as coordenadas e nos ajuda a entender regras de trânsito, mas um dia teremos que usar esse conhecimento de forma independente. Sem dúvida uma pessoa que acabou de pegar a habilitação tem menos habilidades que uma pessoa que já dirige há 10 anos, e o que os diferencia é a prática. 

Em relação ao “treino” dos indivíduos com autismo funciona de forma similar, quanto mais estimulados forem, maiores as chances de alcançarem uma independência de forma consistente. Usar as situações cotidianas para ensiná-los como agir, como se comunicar, como reagir, nem sempre é possível durante as terapias. É “dirigindo” dia a dia que eles aprenderão a “direção defensiva”.

Todos os dias antes de buscar meu filho na escola pego pão quentinho na padaria, sei que ele sai com fome e adora pão. Todos os dias eu perguntava:

Você quer pão?

E ele repetia com entonação afirmativa “você quer pão!”.

Comecei a ensiná-lo o “sim” e o “não” aí, dentro do carro, numa situação cotidiana.

Depois de muito tempo de treino, de dar o modelo da resposta, de lidar com a confusão dele de dizer “não” quando queria dizer “sim”, de segurar a ansiedade de mãe e não dar o pão mesmo sabendo que ele queria dizer sim, de ajudá-lo a se comunicar de forma funcional, de continuar perguntando enquanto ele não respondesse sim ou não. Hoje ele já consegue entender, generalizar e responder de forma independente qualquer pessoa usando adequadamente o sim e o não, em diferentes situações. Provavelmente isso seria trabalhado em terapia também, mas seria muito mais demorado se não intensificássemos o treino. 

Se na terapia as profissional cobram das crianças uma emissão verbal para elas pedirem água e os pais dão a água quando a criança só aponta, além de ficar confuso o processo de aprendizagem, fica menos consistente e logo postergará o sucesso.

Sei que é algo cansativo e que as vezes só entregar a água é muito mais prático e dinâmico numa rotina cheia de intervenções. Mas a praticidade não pode ser mais importante que a evolução. 

Um dia estarão “dirigindo” sozinhos, num trânsito cheio de decisões a tomar, precisarão estar habilitados e treinados para tal.

Algumas coisas não podemos terceirizar e os pais são elementos importantíssimos nessa equação.

Quanto maior a estimulação e entendimento de como usá-las no dia a dia, mais sentido fará para eles, mais rapidamente irão absorver, lhes dará a chance de serem cada vez mais independentes.

Profissionais e família são um só time em prol do desenvolvimento daquele indivíduo, se cada um fizer o seu papel, sem dúvida haverão muito mais dias bons que ruins.

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