• 26 julho de 2018
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  • Autismo

A importância da rotina para crianças com autismo

Rotina é algo importante para qualquer criança, tenha ela o desenvolvimento típico ou atípico. Um grande educador e psiquiatra Norte Americano, Rudolf Dreikurs, compara a importância da rotina para as crianças com a importância das paredes para uma casa, por trazerem segurança, limites e dimensão.
Para as crianças com autismo, que possuem uma enorme dificuldade em se comunicar, a rotina é fundamental, as norteia, evita que se sintam inseguras, confusas e engajem em comportamentos indesejados.

Defina uma rotina para crianças com autismo

Saber o que irá acontecer depois é algo muito confortável para quem não possui capacidade de questionar, nem as perguntas mais cotidianas, como por exemplo, “para onde vamos?” É óbvio que imprevistos sempre acontecem e também podem ser minimizados por uma explicação, mesmo que não seja acompanhada de algum questionamento. Quando, por algum motivo estou levando meu filho à escola e preciso fazer um caminho diferente, eu o aviso:

– Filho, estamos a caminho da escola, mas mamãe precisa fazer um caminho diferente, hoje não vamos passar pelo túnel, mas vamos ver o posto de gasolina que tem um boneco.

Sempre crio algumas referências para ele se localizar, e mesmo sem fazer nenhum questionamento percebo nitidamente que ele passa de um estado agitado para um estado calmo com apenas uma frase.
Quando estabelecemos a rotina e tudo acontece dentro do previsto esse “estado de calma e segurança” prevalece durante todo o dia.

A rotina para crianças com autismo faz diferença?

Sempre comparo a falta de rotina para as crianças com autismo à uma viagem sem roteiro. É desesperador não saber se iremos para a praia ou para a neve, se iremos de avião ou de carro, se iremos durante o dia ou a noite, se teremos lugar para dormir ou para comer. E sem a menor condição de questionar. É um estado constante de insegurança, agitação.
Muitas mães optam por fazer um quadro de rotina, já que as crianças com autismo são extremamente visuais, e assim facilita que entendam o que acontecerá depois. Normalmente esse quadro é feito com as atividades semanais da criança.
Outras mães, cujos filhos são mais resistentes à mudanças de rotina, preferem verbalizar para não “engessar” o dia e evitar maiores desconfortos se for necessário alguma mudança ou existam imprevistos.
A mãe deve discutir com o analista do comportamento para desenvolve uma estratégia para estabelecer a rotina da melhor forma.
O que realmente não podemos deixar acontecer é que a criança se sinta insegura, desconfortável e agitada, simplesmente por não saber o que acontecerá depois.

 

Michelle Carvalho – mãe do Enzo

 

*O Grupo Conduzir declara que os conceitos e posicionamentos emitidos nos textos publicados refletem a opinião dos autores.

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