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A importância do tratamento personalizado

Todos nós possuímos impressões digitais diferentes, nossa singularidade também pode ser comprovada pelo reconhecimento de nossa retina, mas, acima de tudo, somos diferentes em determinadas características que não possuem contadores específicos, como, por exemplo, preferência por certos alimentos, gosto de cores, maneira de reagir às frustrações, maneira de amar e se sentir amado, sensação de segurança, medos e outros.
A afirmação de que somos todos iguais não é real, o sensacional é reconhecer que a beleza da vida está exatamente aí: somos todos diferentes e tudo bem. “O que seria do azul se todos gostassem só do vermelho?”
Já ouvi mães dizerem: “mas eu criei todos meus filhos do mesmo modo, alguns me deram trabalho e outros não. Claro, nem sempre o que funciona para um ser humano, funciona para outro. Mesmo sendo filhos do mesmo pai e da mesma mãe, comendo a mesma comida, estudando na mesma escola, recebendo a mesma educação, cada um possui suas particularidades e reage às coisas de formas diferentes. Gêmeos idênticos possuem personalidades diferentes.
Os autistas também não fogem a essa sensacional realidade, são igualmente diferentes em diversos aspectos. Alguns possuem uma hipersensibilidade e não gostam de abraços, outros são hipossensíveis e precisam abraçar forte, alguns não conseguem ficar em ambientes com barulho, outros não se incomodam, para alguns os cheiros são aversivos, outros nem o percebem, alguns sabem tudo sobre trens, outros gostam de cidades, dinossauros ou até mesmo algo fora do convencional, como é o caso de meu filho, que é apaixonado por Vinhetas. Aos 6 aninhos, já assistiu a mais “jingles” do que muito publicitário (rs).
Não dá para tratar algo tão complexo, como o autismo, sem levar em consideração essas diferenças todas, o ser humano em si e todas suas particularidades, o método pode ser o mesmo, mas, para ter resultados positivos e consistentes, é necessário moldá-lo de acordo com cada paciente.
Quando fomos iniciar o tratamento de meu filho em ABA, a primeira coisa que a supervisora me perguntou foi: “Do que seu filho mais gosta de brincar, de comer e de assistir? Como é seu filho?”. Foram à escola para vê-lo e entender como ele se comportava em ambiente escolar. E passaram um mês brincando com ele, conhecendo, fazendo amizade, descobrindo suas particularidades. Só depois foi traçado um plano de ação e iniciamos o tratamento de forma mais efetiva.
Não existe “receita de bolo” para o tratamento, existe sim uma “customização” para se adequar ao indivíduo, exatamente por não se tratar de números e sim de seres humanos com toda sua complexidade.
O autismo é só uma parte do que são e não os define por completo. É fundamental que essa premissa seja respeitada e considerada em todo o processo de intervenção terapêutica e até mesmo na convivência com qualquer outro ser vivo.
Michele Carvalho, mãe do Enzo

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