• 17 abril de 2018
  • admin
  • Autismo

Meu filho é autista, e agora?

A gravidez, para a grande maioria das mulheres, é um período de muitos sonhos e planos. Escolhemos a dedo os enfeites do quartinho, as roupinhas, o nome da criança, algumas têm uma preferência pelo sexo do bebê, mas sem dúvida, o que todas desejam é que a criança nasça com saúde.
Criamos muitas expectativas e naturalmente o foco da nossa vida muda completamente. Preparamos nosso psicológico para os quilos a mais, aprendemos a dar banho, sabemos que nossas noites serão interrompidas por chorinhos famintos e tentamos, de alguma maneira, nos antecipar para dar o nosso melhor diante ao novo grande amor das nossas vidas.
Chega o grande dia e finalmente conseguimos segurar o amor nos braços, uma sensação indescritivelmente fantástica.

Meu filho é autista, e agora?

De repente percebemos que aquele ser humano tão frágil, tem um desenvolvimento diferente das outras crianças. Algumas mães percebem logo nos primeiros meses, outras demoram um pouco mais e nos damos conta de que não nos preparamos para lidar com uma maternidade atípica.
Não existe manual e o que realmente existe são medos e tantas perguntas sem respostas.
Sentimos o chão se abrir frente ao diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista, me lembro de perguntar ao médico se isso era mais ou menos grave que simplesmente Autismo. Perdi noites e noites de sono, não amamentando, mas ajoelhada ao lado do berço do meu filho, orando para que Deus me fizesse capaz de ajudá-lo. Tive o meu período de luto, engordei 20 quilos em 1 ano (muito mais que os 11 quilos da gravidez) e vi, com mais nitidez do que gostaria, o preconceito de perto.

O que fazer?

Somos todos diferentes e cada um se comporta frente ao inesperado de maneiras diferentes, mas o conselho que sempre dou aos pais “atípicos” (mães e pais) é que respirem fundo e não permitam que o luto seja maior que o amor.
O medo paralisa, mas o amor constrói e nossos filhos precisam que construamos pontes entre eles e o mundo, que façamos o possível para que sejam felizes independente de suas limitações, que com o tratamento correto, amor e dedicação serão cada vez menores.
Certifiquem-se de tratar seus filhos com profissionais comprometidos com o desenvolvimento deles, que lhes tratem com respeito e clareza de informações.
Cuidado com promessa de “cura” milagrosa.
Forme uma equipe multidisciplinar sólida e consistente com tratamentos cientificamente comprovados, que ajude tantos aos filhos quanto aos pais entenderem, que apesar de inesperado, esse caminho pode ser um enorme e delicioso aprendizado.
Os sonhos não morreram, apenas mudaram de direção.

 

Michelle Carvalho – mãe do Enzo

 

*O Grupo Conduzir declara que os conceitos e posicionamentos emitidos nos textos publicados refletem a opinião dos autores.

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