• 18 maio de 2018
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O autismo e a Seletividade Alimentar: O que é e como ajudar?

O termo “Seletividade Alimentar” carrega uma variedade de significados que incluem a recusa alimentar, repertório restrito de alimentos e até mesmo a ingestão frequente de único tipo de alimento.
A seletividade alimentar não é um problema exclusivo das crianças com diagnóstico de Transtorno do Espectro Autismo (TEA). Aproximadamente um quarto de todas as crianças têm problemas alimentares nos primeiros anos de vida, porém a taxa é de 80% em crianças com algum atraso de desenvolvimento.
Embora esta restrição alimentar não seja incomum entre crianças pequenas com desenvolvimento típico, ela  pode ser ainda mais restritiva em crianças com TEA podendo se estender além do período da primeira infância.

Seletividade Alimentar e Autismo, qual a relação?

Uma das características diagnósticas do TEA está relacionada a problemas de modulação sensorial da audição, visão, olfato, paladar e toque.  Esse processamento sensorial anormal é considerado um dos fatores que contribuem para a Seletividade Alimentar. Nesses casos, os padrões são regidos pela aversão a alguns fatores, que podem envolver textura, cor, sabor, forma, temperatura e cheiro do alimento.
Por outro lado, quando não há fatores orgânicos identificáveis, a questão alimentar pode ser considerada como manifestação de interesses restritos e comportamento de rigidez, que também são características do autismo. A rigidez é caracterizada como a relutância em experimentar novos alimentos, ter um pequeno repertório de alimentos aceitos, não realizar as refeições em horários e locais diferentes, e até mesmo a resistência a apresentação de pratos e tipos de utensílios novos.

Qual a solução?

É importante a colaboração entre nutricionistas, nutrólogos e psicólogos analistas do comportamento para aumentar a eficácia da intervenção dietética.
O suporte nutricional é necessário sob a forma de preparação de cardápio e possível suplementação de vitaminas e minerais. A avaliação de nutrólogo especializado também é fundamental para avaliar possíveis comprometimentos orgânicos e orientar na suplementação alimentar de acordo com as necessidades do organismo em questão.
O analista do comportamento provê a quebra de rigidez comportamental referente à seletividade alimentar, dessensibilização e aceitação de variedade de alimentos. contingências também variadas.
Desta forma, a identificação de alimentos adequados, a modificação das características sensoriais (exemplo: a textura) dos alimentos, o fornecimento de utensílios alimentares adequados, a modificação do meio ambiente (estímulos) e a incorporação de intervenções comportamentais de suporte podem ajudar a facilitar uma nutrição adequada, reduzir o estresse familiar nas horas das refeições e melhorar a saúde da criança.

 

Referências Bibliográficas:

  • Cermak, S. A., Curtin, C., & Bandini, L. G. (2010). Food selectivity and sensory sensitivity in children with autism spectrum disorders. Journal of the American Dietetic Association110(2), 238–246. http://doi.org/10.1016/j.jada.2009.10.032.
  • Marí-Bauset, S., Zazpe, I., Marí-Sanchis, A., Llopis-González, A., & Morales-Suárez-Varela, M.M. (2014). Food selectivity in autism spectrum disorders: a systematic review. Journal of child neurology, 29 11, 1554-61.

 

*O Grupo Conduzir declara que os conceitos e posicionamentos emitidos nos textos publicados refletem a opinião dos autores.

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