• 4 junho de 2021
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O medo dos passos para o diagnóstico

Quando um bebê está em formação no ventre da mãe, naturalmente,  muitas expectativas são geradas juntamente com aquela nova vida. Expectativas de amor, de afeto,  de interação,  de comunicação com o filho (a), de ensinamentos e também de aprendizados. 

Nesse “check list” de expectativas raramente se inclui uma criança com desenvolvimento neurológico atípico,  não  nos preparamos para as atipicidades que os exames de pré Natal não detectam.

Acreditamos no obstetra que nos direciona para uma gestação saudável e verdadeiramente é. 

Nasce aquele bebê tão esperado, saudável sim, amado também, mas que nos surpreende com parâmetros diferentes do planejado.

A interação não flui como fluía nas expectativas, a comunicação não se enquadra no esperado, tudo que queríamos ensinar não é absorvido da forma que achávamos, o comportamento que foi cuidadosamente estudado nos inúmeros livros para gestantes, não estava escrito em nenhum deles.

Nesse momento, de nos depararmos com um novo mecanismo de funcionamento daquele serzinho tão frágil,  nos dá um medo congelante. É  como se alguém sacudisse nossos sonhos e, congelados, os olhassemos como poeiras dançando no ar.

É  um medo de  não conseguir, de continuar congelado, de precisar agir, de andar em círculos, de errar,  de ter errado…

Conheço esse sentimento de pavor, de achar que não sou boa o suficiente, de ajoelhar e pedir sabedoria e querer saber como seria na adolescência e vida adulta.

E foi nesse momento,  de medo, que  aprendi a respirar.

Aprendi que toda caminhada começa com um passo e fui, dando um passo de cada vez, vivendo uma dificuldade de cada vez, intervindo na demanda daquele momento,  me dedicando em fazer o hoje melhor que ontem.

Um dia de cada vez…

As vezes olho para trás e nem acredito que consegui percorrer aquele trajeto.

Sei que  existe muito caminho pela frente mas continuo com a expectativa ajustada ao presente.

O medo do futuro é  natural,  mas só podemos agir no presente. 

Não permita que o medo te roube momentos maravilhosos, se permita alterar a perspectiva  e ser feliz de uma forma diferente mas igualmente extraordinária. 

 

Michelle Carvalho – Mãe do Enzo 

 

*O Grupo Conduzir declara que os conceitos e posicionamentos emitidos nos textos publicados refletem a opinião dos autores.

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