Os altos e baixos de uma vida atípica

Os altos e baixos de uma vida atípica

  • Grupo Conduzir admin
  • 6 de agosto de 2020
  • Blog

Todos nós temos, no decorrer das nossas vidas, momentos bons e ruins.

Momentos que parece tudo se encaixar em perfeita ordem, caminhando conforme o planejado e momentos que parece tudo confuso, em desordem e retrocessos.

Com as famílias que vivem o Autismo, esses momentos de Altos e Baixos são potencializados pela esperança e pela exaustão.

Comecei o desfralde do meu filho quando ele tinha 3 anos de idade, foi um processo extremamente desgastante, cansativo que durou 4 ANOS!!!

Foram 4 anos de tentativas das mais diversas técnicas que possam imaginar.

Houve um tempo, durante o processo, em que ele começou a beber o próprio xixi e comer as próprias fezes.

Não sei nem descrever a sensação de ver o próprio filho com esse comportamento e nada funcionar para reverter o quadro.

Chorava dias e noites, orava dias e noites, pesquisava dias e noites…

Encontramos finalmente, toda a equipe terapêutica, família e escola, um caminho de sucesso com reforçadores positivos que surtiram efeito, associado a uma maturidade adquirida por ele.

Depois de seis meses, sem NENHUM escape fizemos uma comemoração geral, ganhou presentes e tudo parecia se encaixar.

Meu afilhado nasceu! Meu filho ficou confuso por não saber qual era o papel dele na família depois desse acontecimento, mesmo com o maior cuidado para não diminuí-lo, mesmo com todas as estratégias desenvolvidas para que ele se sentisse parte daquela nova vida que chegava, mesmo com todo o preparo e direcionamento durante a gestação da minha irmã…

Ele reagiu voltando à estaca zero no treino do toalete.

Sei que muitas crianças típicas têm esse tipo de comportamento quando nasce um irmão, mas eu vinha de exaustivos 4 ANOS de tentativas sem sucesso.

Lembro de limpar o chão da sala aos prantos, com berros de desespero e perder o ar algumas vezes. Também chorei no caixa da farmácia ao comprar uma fralda juvenil porque a infantil já não o servia mais.

E depois de respirar fundo, desenvolvemos novas estratégias, criei uma árvore genealógica para que ele entendesse o nosso contexto familiar, mostrei o quanto ele é amado e que esse tipo de amor não entende divisão ou subtração, esse amor só conhece adição e multiplicação.

Me policiei mais para que ele continuasse se sentindo parte importante da equação.

E começamos o treino do zero, com reforços positivos poderosos para ele.

Deu certo!!! Em dois meses tudo já tinha normalizado, ou pelo menos a maior parte.

Ainda alguns escapes noturnos, mas nada que afetasse minha estrutura emocional.

Descobri com esse episódio que altos e baixos sempre vão existir, mas que devemos nos preparar psicologicamente para ambos.

Cuidar do cuidador é tão importante quanto cuidar da criança.

 

Michelle Carvalho, mãe do Enzo 💙

 

*O Grupo Conduzir declara que os conceitos e posicionamentos emitidos nos textos publicados refletem a opinião dos autores.