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Pistas visuais, um caminho individualizado para o desenvolvimento.

O caminho para educar e desenvolver crianças, jovens e adultos diagnosticados com TEA – Transtorno do Espectro Autista – é longo e muito discutido, principalmente quando o assunto em pauta são as estratégias para facilitar e tornar esse processo de ensino de fato efetivo.

Dentre as diversas estratégias utilizadas, as pistas visuais podem, por exemplo, dar a possibilidade de comunicação a um indivíduo, ou ajudá-lo a organizar sua rotina para que tenha previsibilidade e/ou funcione como um guia, com o passo a passo para que seja possível para o indivíduo cuidar-se de maneira independente.

Existem diversas formas de se utilizar esta estratégia, bem como, diversos benefícios para aqueles que aprendem a usar este recurso, de forma adequada à suas necessidades.

Quando utilizada para auxiliar no desenvolvimento da comunicação, a partir do ensino pela seleção de imagens em uma pasta, o indivíduo aprende a fazer pedidos, responder ao que lhe é pedido e escolher, ou seja, aprende a função da comunicação e passa a se comportar para tal, aumentando assim a sua interação com o mundo em que está inserido.

Quando utilizada na organização da rotina, pode-se representar as atividades do dia por fotos, por exemplo. Sabe-se que é fundamental manter a previsibilidade para as pessoas que se enquadram no espectro, garantindo assim um maior engajamento nas mesmas e controle da ansiedade e estresse causado por alterações não planejadas. Além de ser uma estratégia que prepara a pessoa para o uso de agendas ou calendários e auxilia no desenvolvimento de noção temporal.

Considerando também os déficits no desenvolvimento das habilidades sociais, as pistas podem ser apresentadas por meio de história sociais, a fim de contribuir e auxiliar no processo de aquisição desse repertório, por exemplo: quando uma criança precisar mudar de escola, um livrinho curto pode ser feito com poucas imagens por páginas, representando o passo a passo de seu primeiro dia de aula – como se aproximar de um par, como iniciar a interação e como pedir para participar de uma brincadeira. É claro que, depois disso, leituras e treinos periódicos envolvem-se na estratégia também. Nesta dinâmica de intervenção, a situação social é apresentada para o indivíduo e a forma pela qual é esperada que ele se comporte é treinada, garantindo que o mesmo vivencie uma experiência próxima à uma situação natural.

Pensando na independência e no auto-cuidado, as pistas visuais também entram como estratégias coringas para o treino destas habilidades. Utilizar o toalete, organizar o material escolar, preparar um lanche, organizar a compra do mercado, tomar banho, escovar os dentes ou trocar de roupa são tarefas muito desafiadoras para alguns indivíduos, mas podem se tornar mais fáceis com um apoio de pistas visuais. A partir de uma sequência de fotos apresentadas com cada etapa a ser executada, pode tornar todos esses processos citados muito menos árduos, e a execução de todos eles passa a fazer parte da rotina e do repertório de autonomia do indivíduo, sem que ele necessite de alguém para auxiliá-lo.

Embora usadas com objetivos específicos, há um objetivo em comum ao uso deste recurso: contribuir para o processo de desenvolvimento das habilidades de maneira específica, concreta, estruturada e efetiva.

Perceber o mundo, experimentá-lo, construir a compreensão do mesmo e se comportar nele é o que permite a aquisição de habilidades e a independência, tornando assim possível a adaptação às exigências do ambiente. Para auxiliar neste processo, o recurso das pistas pode ser útil em diferentes tipos de treinos, de diferentes habilidades e níveis de complexidade.

Pensando assim, adaptar o meio para aqueles que o percebem, experimentam, compreendem e se comportam de uma forma diferente, tornando justas as possibilidades de desenvolvimento, é a maneira mais eficaz de ensino. Sempre lembrando: de nada adianta o recurso, se o meio pelo qual sua utilização será ensinada, não for efetivo e adequado às necessidades particulares do paciente em questão.

 

Fernanda Dib

Psicóloga e Supervisora ABA – Grupo Conduzir

CRP nº 6/124310

 

REFERÊNCIAS:

Windholz, M. H.Passo a passo, seu caminho: guia curricular para o ensino de habilidades básicas. 3. ed. amp. São Paulo: Edicon, 2017.

Finkel, A. S., Williams, R. L. (2001). Comparison of textual and echoic prompts on the acquisition of intraverbal behavior in a six-year-old boy with autism. The Analysis of Verbal Behavior.

Krantz, P. J., & Mcclannahan, L. E. (1998). Social interaction skills for children with autism: A script-fading procedure for beginning readers. Journal of Applied Behavior Analysis.

 

 

 

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