• 30 outubro de 2020
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Planejamento individualizado

Muito se fala em planejar de maneira individualizada uma intervenção, mas será que fica claro o quão amplo isso de fato é?

As etapas desse tipo de intervenção analítico-comportamental passam por uma avaliação detalhada, por uma escolha de determinados comportamentos, pelo desenvolvimento de objetivos que irão dar forma aos relatórios e por planos detalhados de ensino que são pensados com o intuito de aumentar ou diminuir certos comportamentos. E o que isso tudo quer dizer?

Primeiro, torna-se importantíssimo lembrar que cada cliente é diferente, assim como os motivos que os levam a se comportarem de determinada forma. Cada um irá apresentar um repertório comportamental único durante a fase de avaliação e terão algumas necessidades que são singulares, e isso sempre será levado em conta.

Serão avaliados criteriosamente comportamentos como: dificuldade de atenção na escola, birra de longa duração, estereotipais e comportamentos que estigmatizam a criança ou adolescente ou representa risco e o exclui de oportunidades de contato com ambientes (na comunidade geral) ou com algumas situações que sejam divertidas (jogar com outras crianças).

Pensando nisso, existem habilidades que precisam receber atenção mais imediatamente, enquanto outras serão abordadas mais tarde. Nesse sentido, são necessários alguns questionamentos, como se este comportamento é importante para o indivíduo nesse momento e se existem pessoas significativas na vida do cliente que também serão afetadas com a aquisição dessa habilidade.

As prioridades dos pais devem ser discutidas, consideradas e incluídas (conforme apropriado) como alvos na intervenção também. Se um determinado comportamento escolhido para ser priorizado atende a todos os outros critérios, mas não é considerado importante para a comunidade social do cliente, talvez não seja um comportamento alvo apropriado.

A intervenção acontece com o intuito de buscar diminuir as diferenças entre o repertório atual da criança ou adolescente e o repertório de crianças ou adolescentes típicos da mesma idade, bem como promover qualidade de vida, autonomia e independência.

Os primeiros objetivos serão pensados a curto prazo, ensinando a criança a aprender a aprender. Se a criança apresentar comportamentos considerados graves (autolesão, por exemplo), estes também entram nesse estágio dos objetivos, que serão definidos a partir dos pré-requisitos necessários para a aprendizagem de novos repertórios. Já a médio prazo, os objetivos podem dar continuidade aos anteriores, após o período de aquisição dos pré-requisitos. E os de longo prazo podem mudar ao longo do tempo e sofrem influência das expectativas dos próprios clientes, de suas famílias e de outras possíveis variáveis.

Somente depois de ter tudo isso definido é que são descritos como devem ser ensinados os comportamentos selecionados, sempre abrangendo as sete dimensões da Análise do Comportamento Aplicada, que são: aplicada, comportamental, analítico, tecnológico, conceitualmente sistemático, efetivo e generalizável.

Também será determinado um sistema que deverá medir os comportamentos, a forma como serão reforçados, quais serão os itens com potencial de serem reforçadores com a finalidade de motivar o indivíduo para a realização das demandas, as ajudas que serão necessárias para cada programa a ser treinado,  como deverá ocorrer a correção caso ocorram respostas erradas, qual será o critério para definir se tal habilidade foi aprendida, e como será programada a generalização desses comportamentos para outros ambientes.

Com isso, pretende-se enfatizar que, durante todo plano de intervenção, produção de relatório e organização das equipes, entende-se como responsabilidade do profissional garantir intervenção de qualidade, ética e que considera a individualidade de cada cliente.

 

Graciele Reis

Psicóloga e Supervisora ABA – Grupo Conduzir

CRP 06/125313.

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