• 1 fevereiro de 2018
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  • Autismo

Play Date: Como ensinar crianças com TEA a brincar com seus pares?

Muitas crianças dentro do espectro do transtorno do autismo apresentam em diferentes graus, dificuldades para interagir socialmente, mais especificamente, de brincar com seus pares. A questão que permeia discussões entre as famílias e profissionais quando o tema é abordado, é: Qual a melhor forma de encorajar a criança a estabelecer vínculos de amizade com seus pares? Para responder essa pergunta, escrevo hoje sobre o Play Date.

Play Date

Segundo Smith (2001), o objetivo da estratégia é promover a prática intensa e sistematizada das habilidades de brincar e de socialização em um ambiente controlado, além disso, cria oportunidades para o estabelecimento de vínculos como amizades, e tem como meta final, tornar os pares mais reforçadores para a criança alvo do que seus terapeutas.

Para aumentar as chances de sucesso do procedimento e engajamento das crianças envolvidas, alguns cuidados são importantes como primeiros passos:

Garantir que a criança está pronta para o Play Date

É importante que a criança já tenha adquirido algumas habilidades que darão base para que ela responda à estratégia do Play Date. Por exemplo:

  • Dar função para brinquedos de forma concreta ou também simbólica;
  • Ter noções de troca de turnos e jogos de regras. Não é necessário que a criança tenha esse repertório totalmente desenvolvido, porém é de grande ajuda se ela já souber brincar dentro de uma estrutura com regras, mesmo que simples;
  • Treinar repertório de brincadeira com o adulto.  Para a maioria das crianças com autismo, brincar com o adulto, funciona como o primeiro passo antes da interação com os pares. Isso acontece, pois os pais, terapeutas, educadores, costumam ser mais previsíveis, e podem prover a ajuda necessária quando preciso.

Quais Habilidades são desenvolvidas?

Para cada criança, o Play Date terá um foco específico, mas também geral. Dentre as habilidades gerais, podemos listar:

  • Repertório de jogos de regras;
  • Desenvolvimento e treino da linguagem, principalmente voltada para os pares;
  • Interação recíproca;
  • Repertório tais como: saber esperar pela vez e aceitar perder;
  • Responder a instruções em grupo;
  • Responder com aumento do nível de distratores no ambiente.

Confira o vídeo que fala sobre Play Date

A Supervisora do Grupo Conduzir, Julia Sargi, explica no vídeo abaixo os principais pontos dessa discussão.
[https://youtu.be/U2n0Z-yBUfI]

Qual a criança certa para convidar?

A criança ideal será aquela que divide alguns dos temas e brincadeiras de interesse da criança, podendo ser vizinhos, colegas da escola, primos ou irmãos. Optar por um par que seja 1 ou 2 anos mais velho pode ser uma boa opção, pois podem ser mais maduras, assumir papéis de liderança com mais facilidade e também apresentar maior cooperação.
O número de crianças também é importante: nos estágios iniciais do treino, recomenda-se que seja convidada apenas um par, e em estágios mais avançados, dois ou mais, até que a inserção da criança seja feita em grupos em ambiente natural.

Planejamento da agenda

Para que o Play Date tenha um bom resultado, ele precisa ser estruturado previamente. O planejamento de uma agenda é fundamental para estabelecer com quais metas o terapeuta ou pai, irá trabalhar com a sua criança. É importante planejar:

  • Número de atividades que serão feitas;
  • Quanto tempo cada uma vai durar;
  • Quais estratégias serão utilizadas para prestar ajuda à criança, quando necessário;
  • Quais serão os itens reforçadores utilizados durante e após cada atividade;
  • Quais serão as atividades de backup.

Algumas dicas…

  1. Sempre incentive os pares a falarem com a sua criança diretamente, sem o intermédio do adulto, isso contribui para o treino de habilidades de diálogo da mesma e aumenta as chances de vínculos com seus pares;
  2. Comece o Play Date com uma atividade que seja motivadora para ambas as crianças e finalize com algo reforçador também, aumentando a possibilidade de engajarem rapidamente na atividade e a finalizar mantendo a motivação alta para os próximos encontros;
  3. Conheça as habilidades de sua criança, e realize atividades que estão de acordo com suas capacidades bem como treinar habilidades que são metas a serem desenvolvidas;
  4. Apresente as atividades de forma específica, evitando perguntas abertas, para que seja seguido um roteiro de atividades, em que pode haver espaço para as crianças escolherem livremente ou entre opções já programadas. Lembre-se de dar as instruções de forma clara e simples.

 

Referências Bibliográficas:

 

*O Grupo Conduzir declara que os conceitos e posicionamentos emitidos nos textos publicados refletem a opinião dos autores.

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