• 2 dezembro de 2020
  • Ellen Ferraz
  • Blog

Preconceito x despreparo

O preconceito em relação às pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) é, infelizmente, uma realidade. Constantemente os familiares são submetidos a situações constrangedoras e criminosas de exclusão, não só do indivíduo com autismo, mas de seus cuidadores.

As estereotipias dos autistas, por exemplo, incomodam “o silêncio” de alguns, os quais reagem de forma completamente preconceituosa. A necessidade de adaptações para as quais as escolas estão despreparadas – e que deliberadamente se negam a fazer – impedem que haja uma inclusão genuína e efetiva. Mas nem sempre é assim!

Algumas (tantas) vezes é uma questão de despreparo e não necessariamente uma ação discriminatória.

Cabe a nós, pais, sabermos diferenciar uma coisa da outra antes de agirmos.

Discriminação é crime:

“Lei – 13.146/2015

Art. 88.  Praticar, induzir ou incitar discriminação de pessoa em razão de sua deficiência:

Pena – reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa.”

E precisa ser encarada como tal, com todas as suas punições legais.

Mas o despreparo, apesar de doloroso tanto para o indivíduo com autismo quanto para seus familiares, é sempre uma oportunidade de conscientização. O autismo não faz parte do universo da grande maioria das pessoas, que, por isso, não sabem como agir.

Recentemente, passei por uma situação desafiadora em uma loja de departamento. Ao questionar para uma funcionária o que era o “lacinho com as quebras cabeças” (símbolo da conscientização do autismo) desenhado na placa do caixa preferencial, a resposta foi:

“Ah, isso é o símbolo daqueles meninos cheios de problema! Daqueles que se balançam… Não lembro bem o nome. Ahhh é! Autistas”.

Saí do caixa, chamei a gerente para uma conversa reservada e me dispus a dar uma palestra de conscientização para os funcionários. Entendi que não foi dado um treinamento aos funcionários para saberem lidar com a situação e que aquela atitude foi reflexo de um total despreparo. Uma semana depois, eu estava lá, na mesma loja, falando não só para a funcionária em questão, mas para outros 20 funcionários.

Ao invés de me revoltar, aproveitei a oportunidade para informar, conscientizar, criar empatia.

Que possamos fazer o exercício da empatia inversa e encarar cada situação de despreparo como uma oportunidade de preparar um mundo melhor para todos os autistas.

Michelle Carvalho, mãe do Enzo 💙

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