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A triste omissão dos pais de autistas

Quando falamos e pensamos sobre uma criança com autismo, imagina-se que aquela criança que está ali se esforçando para se desenvolver tem um respaldo familiar e os tratamentos necessários.
Mas nem sempre isso acontece. Tenho me sentido assustada com a omissão por parte de alguns pais que se negam a cumprir seu importante papel para um desenvolvimento consistente do filho.
Recebo diariamente pedidos de socorro de familiares, amigos e profissionais de crianças com autismo cujos pais estão paralisados por uma negação completamente improdutiva ou não acreditam no potencial dos próprios filhos e simplesmente não se dão ao trabalho de estimulá-los como deveriam.
Escolas verdadeiramente inclusivas que se desdobram para proporcionar material adaptado para o aluno, porque os pais sequer providenciaram os livros didáticos que seriam facilmente adaptados por uma equipe pedagógica competente.
Terapeutas que são muitas vezes tratadas como babás, desde que ocupem aquele tempo da criança, já está bom para os pais.
Monitoras escolares contratadas sem a menor preocupação em oferecer um treinamento para estimular a criança, a única demanda é levá-la ao banheiro, cuidar para que ela não se machuque e se alimente no horário correto.
Familiares chocados com os pais que deixam os filhos autistas com os avós e saem para passear com os filhos neurotípicos em eventos adequados para ambos.
Pais terceirizando algo que não deveria ser terceirizado.
Desculpas prontas, como quem quer convencer o outro e a si mesmo:
“Mas o meu filho não responde!”
Ok! O meu filho também tem dificuldade em responder e, na grande maioria das vezes, faz o que chamamos de ecolalia: repete a pergunta. E eu ensino a resposta e ele repete a resposta. Essa dinâmica faço mil vezes por dia na esperança de que um dia eu vá me surpreender com a resposta espontânea.
“Não saio com meu filho porque ele faz xixi e cocô na calça, na rua é muito complicado lidar com isso.”
Já relatei aqui que demorei QUATRO ANOS, repito, QUATRO ANOS, para fazer o desfralde do meu filho. Sempre levei cinco trocas de roupas e algumas vezes precisei comprar a sexta troca na rua e voltar para casa.
“Mas meu filho não tem noção de perigo, deixo em casa para protegê-lo.”
Meu filho também tem a noção de perigo comparada a de um bebê de um ano, mas tem a capacidade física de uma criança de seis anos. Também tenho medo, mas opto por levá-lo em lugares onde ele ficará em segurança e fico em alerta 100% do tempo. Ele é criança, precisa ter vida de criança.
Se é fácil? Não! Não é nada fácil.
É cansativo, exaustivo, muitas vezes é doloroso.
Mas são seres humanos, assim como eu e você. São crianças que estão perdendo tempo precioso com os pais, deixando de criar memórias afetivas, perdendo a infância que passa tão rápido e só acontece uma vez na vida.
Faço aqui um apelo aos pais omissos, seja por qual motivo for:
Não desistam dos seus filhos! Por mais difícil que pareça, olhem para eles e vejam as possibilidades em vez de enxergarem somente as limitações.
Valorizem as pequenas vitórias e progressos. Mostrem a eles que são amados e não estão sozinhos.
Permitam que eles recebam tempo de qualidade com vocês.
Conheço autistas severos que se desenvolveram tanto que hoje possuem uma vida independente e funcional. Conheço autistas moderados que superaram seus limites e hoje são palestrantes fantásticos. Conheço autistas leves que se desenvolveram tanto que hoje passam por adultos tímidos.
E todos eles, sem exceção, tiveram pais que não desistiram. Que lutaram por e com eles, numa dedicação enorme, mas não maior do que a recompensa.
Sim, o amor também move montanhas!
Escolha amar.

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