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Autismo feminino: por que meninas ainda recebem o diagnóstico de TEA mais tarde?

  • Foto do escritor: Grupo Conduzir
    Grupo Conduzir
  • há 2 dias
  • 3 min de leitura

Durante muitos anos, o Transtorno do Espectro Autista (TEA) foi descrito principalmente com base em estudos realizados com meninos. Como consequência, muitas meninas cresceram sem receber um diagnóstico adequado, mesmo apresentando dificuldades significativas em diferentes contextos.



Segundo a revisão de Hull, Petrides e Mandy (2020), há evidências de que meninas e mulheres autistas podem apresentar características diferentes das observadas no perfil tradicionalmente utilizado nos critérios diagnósticos, contribuindo para o subdiagnóstico e para diagnósticos mais tardios.

 

Compreender essas diferenças é fundamental para que meninas recebam avaliação especializada, intervenção precoce e o suporte necessário para seu desenvolvimento.


Por que o autismo feminino costuma ser identificado mais tarde?

Os critérios diagnósticos utilizados durante décadas foram construídos a partir de um perfil predominantemente masculino. Embora hoje exista maior conhecimento sobre as diferentes formas de apresentação do TEA, esse histórico ainda influencia o reconhecimento dos sinais.

 

Além disso, muitas meninas desenvolvem estratégias para se adaptar socialmente, o que pode tornar algumas dificuldades menos perceptíveis para familiares, professores e até profissionais. Esse comportamento, conhecido como camuflagem social (masking), é apontado por Hull, Petrides e Mandy (2020) como um dos fatores que podem dificultar o reconhecimento do autismo em meninas e mulheres.

 

Esse conjunto de fatores faz com que o diagnóstico aconteça apenas na adolescência ou mesmo na vida adulta.


O que é masking? (camuflagem social)?

Um dos conceitos mais importantes quando falamos em autismo feminino é o masking, também conhecido como camuflagem social.

 

Trata-se do esforço consciente ou inconsciente para esconder características do autismo, observando, copiando e reproduzindo comportamentos considerados socialmente esperados.

Alguns exemplos incluem:


●     imitar expressões faciais e gestos;

●     decorar roteiros de conversa;

●     observar outras crianças antes de participar de interações;

●     esconder desconfortos para evitar chamar atenção.

 

Embora essa estratégia possa facilitar algumas situações sociais, ela costuma gerar grande desgaste emocional e aumentar o risco de ansiedade e exaustão. Uma revisão sistemática publicada no Journal of Autism and Developmental Disorders destaca que a camuflagem social está associada ao atraso no diagnóstico e pode trazer impactos importantes para a saúde mental de meninas e mulheres autistas.


Mitos comuns sobre o autismo feminino


Mito 1: "Se ela faz amigos, não pode ser autista."

Ter amizades não exclui o diagnóstico de TEA.

 

Muitas meninas conseguem estabelecer vínculos sociais, mas fazem isso com grande esforço, utilizando estratégias de observação e imitação para participar dos grupos.

 

O importante não é apenas analisar se existem amizades, mas compreender como essas relações acontecem e quanto esforço elas exigem.

 

Mito 2: "Os interesses precisam ser incomuns."

Nem sempre. Os interesses restritos podem envolver temas comuns para a idade, como animais, livros, música, personagens ou maquiagem.


A diferença está na intensidade, na profundidade e no impacto que esses interesses exercem sobre a rotina e outras atividades.

 

Mito 3: "Se ela não apresenta crises, está tudo bem."

Nem toda sobrecarga emocional se manifesta por meio de crises intensas.

 

Algumas meninas respondem ao excesso de estímulos com isolamento, fadiga, ansiedade, perfeccionismo, autocobrança ou dificuldades para comunicar o que estão sentindo.


Por isso, observar apenas comportamentos mais evidentes pode fazer com que sinais de sobrecarga emocional passem despercebidos. É fundamental estar atento também às mudanças sutis de comportamento e às formas menos visíveis de demonstrar desconforto.


Quando procurar uma avaliação especializada?

Cada criança apresenta um desenvolvimento único.


Caso existam dúvidas relacionadas à comunicação, interação social, interesses restritos, rigidez comportamental ou sinais persistentes que impactem a rotina, uma avaliação especializada pode oferecer informações importantes para compreender esse desenvolvimento.

 

Quanto mais cedo as necessidades são identificadas, maiores são as oportunidades de desenvolver estratégias individualizadas e favorecer a qualidade de vida da criança e de sua família.

 

O papel da equipe multidisciplinar

O acompanhamento do TEA envolve diferentes áreas do conhecimento. Psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, neuropediatras e outros profissionais podem atuar de forma integrada para compreender as necessidades de cada criança.

 

Mais do que confirmar um diagnóstico, a avaliação busca entender potencialidades, desafios e construir um plano de intervenção baseado em evidências científicas.


GRUPO CONDUZIR

Identificar precocemente os sinais do autismo feminino faz toda a diferença para o desenvolvimento da criança e para a qualidade de vida de toda a família.

 

No Grupo Conduzir, nossa equipe multidisciplinar realiza avaliações especializadas e desenvolve intervenções individualizadas, baseadas em evidências.

 

Tem dúvidas sobre o desenvolvimento da sua filha? Entre em contato conosco e agende uma avaliação especializada.


Referências

●     HULL, L.; PETRIDES, K. V.; MANDY, W. The Female Autism Phenotype and Camouflaging: a Narrative Review. Review Journal of Autism and Developmental Disorders, v. 7, p. 306–317, 2020. DOI: 10.1007/s40489-020-00197-9.

●     ALONSO-ESTEBAN, Y. et al. Social Camouflaging in Females with Autism Spectrum Disorder: A Systematic Review. Journal of Autism and Developmental Disorders, 2021. DOI: 10.1007/s10803-020-04695-x.


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