O sonho da inclusão entre crianças

Recentemente viralizou um vídeo de um grupo de crianças jogando basquete, aparentemente num ginásio. Dentre elas estava um garotinho com deficiência e dificuldades motoras que se esforçava, com muita empolgação, para fazer parte da brincadeira, para acompanhar os amigos, entregando o seu melhor.
Apenas uma daquelas crianças, que se preocupavam em correr mais rápido para fazer a cesta, percebeu que o amigo estava ali, tentando acompanhar, sem receber a bola. Esse garoto quicou a bola até o amigo, a entregou e o levantou nos braços para que ele conseguisse fazer a cesta também.

Um gesto de inclusão e equidade
Certamente foi um dia especial para aquelas duas crianças e suas famílias.
Especial para o garoto que, por sua estatura mais alta que os demais, poderia facilmente fazer a cesta e sair como o grande marcador do jogo, mas que preferiu potencializar e dizer, por um gesto ao amigo, que ele também era parte do time, também tinha direito de ser protagonista e que conseguiria isso desde que praticassem equidade.
E obviamente especial para a criança com deficiência, que provavelmente enfrentou, juntamente com sua família, muitos obstáculos implícitos numa criança com limitações motoras jogando basquete, mas com o coração cheio de sonhos e voos.
A legenda era: "quero criar o meu filho para ser como o camisa 10", número da camisa do garoto que proporcionou ao amigo provavelmente a primeira cesta de sua vida.
Mas realmente estão criando camisas 10?
Falamos muito sobre ensinar às crianças a respeitarem as diferenças, a serem tolerantes e pacientes com o amigo com alguma deficiência.
Falamos sobre a inclusão que começa dentro de casa, pelo exemplo, e que se reflete na conduta das crianças. Pedimos aos pais que conversem com seus filhos sobre acolher o amigo com dificuldade. E percebo que os pais têm se esforçado para educar seus filhos de forma a serem realmente inclusivos.
A inclusão em ambientes coletivos
Infelizmente percebo também que o comportamento das crianças é de um jeito quando estão sozinhas com o amigo com deficiência e completamente diferente quando inseridos num contexto coletivo com esse mesmo amigo com deficiência.
Quando possuem outras crianças típicas envolvidas, raramente a inclusão e tudo que foi ensinado pelos pais vencem ao "efeito manada da exclusão ".
A brincadeira vence do acolhimento. A cesta é quase sempre mais importante.
Estamos realmente carentes de camisas 10.
Ensinar as crianças sobre inclusão e equidade
Como mãe de uma criança autista, uso este espaço de voz para pedir aos pais que realmente ensinem seus filhos sobre inclusão e equidade num ambiente coletivo.
Ensinem aos seus filhos a serem influenciadores de inclusão e não influenciados pela exclusão.
Michelle Carvalho, mãe do Enzo 💙
No Grupo Conduzir, nossa equipe multidisciplinar desenvolve intervenções individualizadas e baseadas em evidências, valorizando as potencialidades de cada pessoa e contribuindo para o desenvolvimento da autonomia, participação e inclusão.
A inclusão se constrói com respeito às diferenças, oportunidades e participação de todos. Entre em contato conosco e conheça nossos atendimentos.
O Grupo Conduzir declara que os conceitos e posicionamentos emitidos nos textos publicados refletem a opinião dos autores.


