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Dupla excepcionalidade: o que é e como identificar?

  • Foto do escritor: Grupo Conduzir
    Grupo Conduzir
  • 28 de jul. de 2025
  • 6 min de leitura

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Muitos profissionais da educação e da saúde ainda enfrentam dificuldades para reconhecer e compreender pessoas com dupla excepcionalidade. Essa condição afeta crianças, adolescentes e adultos que demonstram, ao mesmo tempo, altas habilidades ou superdotação (AH/SD) e algum tipo de deficiência ou transtorno do neurodesenvolvimento. Esse perfil singular, por unir talentos e desafios, exige um olhar atento, atualizado e respeitoso. Quando os profissionais não identificam essa complexidade, aumentam os riscos de diagnósticos equivocados e intervenções ineficazes.


Assim, muitos indivíduos permanecem invisíveis, sem o suporte que precisam para se desenvolver com autonomia e dignidade. Embora a legislação brasileira reconheça oficialmente a dupla excepcionalidade, muitos ambientes escolares e clínicos ainda negligenciam essa realidade. Famílias, educadores e até especialistas enfrentam obstáculos para compreender comportamentos aparentemente contraditórios, como um raciocínio sofisticado combinado a dificuldades de socialização, leitura ou autorregulação emocional. 


Por isso, promover visibilidade e acolhimento para essas pessoas tornou-se uma urgência. Continue a leitura e entenda mais.

O que é dupla excepcionalidade?

A dupla excepcionalidade ocorre quando crianças, adolescentes ou adultos apresentam altas habilidades ou superdotação (AH/SD) em conjunto com alguma deficiência sensorial ou transtorno do neurodesenvolvimento. Essa combinação pode envolver o Transtorno do Espectro Autista (TEA), o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), dislexia, ou ainda deficiências auditiva e visual.

De acordo com Nakano (2015), essa coexistência de talentos e dificuldades torna o diagnóstico mais desafiador. Muitos indivíduos acabam sendo mal compreendidos porque seus talentos mascaram suas dificuldades ou, inversamente, porque seus desafios ofuscam seu verdadeiro potencial. Assim, o sistema muitas vezes não reconhece nem apoia essas pessoas como deveria.

Além disso, a forma como a dupla excepcionalidade se manifesta varia de forma muito ampla entre os indivíduos. Enquanto alguns demonstram comportamentos mais internalizados, como ansiedade e baixa autoestima, outros expressam dificuldades de forma mais visível, como impulsividade ou resistência à rotina. Essa diversidade reforça a necessidade de avaliações personalizadas e escuta ativa nesse processo. 


O que são altas habilidades e superdotação?

As altas habilidades ou superdotação (AH/SD) envolvem um desempenho significativamente superior à média em uma ou mais áreas do desenvolvimento humano. Isso inclui os campos intelectual, acadêmico, artístico, psicomotor ou de liderança. Essas habilidades podem aparecer de forma isolada ou combinada, e costumam emergir já na infância.


Crianças, adolescentes e adultos com AH/SD geralmente demonstram raciocínio lógico apurado, vocabulário avançado e criatividade acima da média. Eles mantêm um interesse intenso por determinados temas, propõem soluções originais e se envolvem profundamente em tarefas que os motivam. Além disso, frequentemente, mostram senso de justiça elevado, pensamento crítico e muita sensibilidade emocional.


No entanto, o sistema educacional e social nem sempre reconhece essas potencialidades. Muitas vezes, as habilidades não se traduzem em bom desempenho escolar, especialmente quando existem barreiras como ansiedade, dislexia, TDAH ou desmotivação. Por isso, é fundamental que os profissionais considerem diferentes formas de expressão da inteligência , para além dos testes tradicionais e notas no boletim.


Quais são os sinais e características da dupla excepcionalidade?

Reconhecer a dupla excepcionalidade exige mais do que observar comportamentos isolados. Muitas vezes, os sinais aparecem de forma contraditória, o que pode confundir profissionais e famílias. São eles:


Desempenho acadêmico irregular

Essas pessoas costumam se destacar em áreas específicas, como lógica ou artes, mas enfrentam barreiras em outras, como leitura, escrita ou organização. Essa discrepância dificulta o reconhecimento do perfil completo, uma vez que o sistema escolar não compreende como alguém tão habilidoso pode ter tantas dificuldades em áreas básicas.


Alta criatividade e pensamento complexo

Crianças, adolescentes e adultos com dupla excepcionalidade geralmente expressam um pensamento abstrato avançado, senso crítico aguçado e criatividade intensa. Eles costumam propor soluções originais para problemas diversos e demonstrar interesse profundo por determinados temas. No entanto, sua forma de pensar fora do comum pode causar estranhamento e resistência no ambiente escolar ou familiar.


Comportamentos desafiadores e atípicos

É comum observar comportamentos como desatenção, impulsividade, rigidez,

resistência a regras e dificuldade de autorregulação. Esses comportamentos, muitas vezes, mascaram tanto os talentos quanto os desafios. Quando os profissionais não compreendem essa dinâmica, rotulam o indivíduo como indisciplinado ou rebelde, sem investigar a causa real das dificuldades.


Fragilidade emocional e baixa autoestima

A ausência de reconhecimento e o julgamento inadequado provocam sentimentos de frustração, inadequação e desânimo. Muitas dessas pessoas desenvolvem baixa autoestima ao longo do tempo. Elas sabem que têm algo diferente, mas não conseguem entender por que não são valorizadas ou por que enfrentam tantas críticas e rejeições.


Dificuldade de socialização

A dificuldade para se conectar com colegas, professores ou familiares também aparece com frequência. A linguagem avançada, os interesses específicos e os comportamentos intensos criam barreiras nas interações sociais. Isso contribui para o isolamento, a desmotivação e, em alguns casos, para sintomas de ansiedade ou depressão.


Potencial despercebido

Muitas vezes, os talentos dessas pessoas passam despercebidos. Isso ocorre especialmente quando os desafios são mais visíveis. A escola tende a concentrar-se nos déficits, ignorando áreas como liderança, criatividade ou pensamento crítico. Essa invisibilidade priva a pessoa de oportunidades de desenvolvimento e reconhecimento.


Três perfis comuns na dupla excepcionalidade

Neihart (2008) descreveu três perfis frequentes entre pessoas com dupla excepcionalidade:


Desempenho decrescente

  • indivíduos que se destacavam no início da vida escolar, mas cujo desempenho caiu à medida que o currículo se tornou mais exigente.

Dificuldades evidentes, talentos ignorados

  • aqueles que receberam diagnósticos relacionados às dificuldades, mas nunca tiveram seus talentos reconhecidos.

Talentos que mascaram os desafios

  • pessoas cujas habilidades camuflam suas dificuldades, tornando o diagnóstico ainda mais complexo.


Estes perfis mostram que a dupla excepcionalidade pode se manifestar de formas muito diferentes. Por isso, é fundamental que profissionais observem o todo, com escuta, paciência e ferramentas adequadas.


Quais são as necessidades educacionais e emocionais da dupla excepcionalidade?

Para garantir um desenvolvimento completo, pessoas com dupla excepcionalidade precisam de ambientes que compreendam e respeitem tanto seus talentos quanto suas dificuldades. Por isso, estratégias pedagógicas individualizadas fazem toda a diferença. 


A adaptação curricular, por exemplo, permite ajustar os conteúdos à realidade de cada pessoa, evitando tanto o tédio quanto a sobrecarga. Além disso, atividades interdisciplinares e desafiadoras, alinhadas aos interesses do indivíduo, estimulam o engajamento e favorecem a aprendizagem. No entanto, apenas adaptar o currículo não basta. 


Esses indivíduos também precisam de estímulo direcionado para desenvolver seus talentos e de apoio estruturado para superar suas dificuldades. Assim, é possível acelerar o aprendizado em determinadas áreas, ao mesmo tempo em que se oferece suporte pedagógico ou terapêutico em outras. Essa combinação equilibrada contribui para a autoestima, reduz a desmotivação e fortalece o vínculo com os espaços de aprendizagem. 


Além das estratégias pedagógicas, o apoio emocional contínuo sustenta o desenvolvimento de pessoas com dupla excepcionalidade. Afinal, a escuta ativa e o acolhimento terapêutico ajudam a reduzir frustrações e fortalecer a autoestima. Dessa forma, quando a família compreende esse perfil, ela ajusta expectativas, apoia com mais segurança e estreita os vínculos afetivos.


Neste sentido, a orientação parental também é essencial, ela oferece ferramentas para o dia a dia e favorece atitudes mais sensíveis diante dos desafios para que escola, clínica e famílias atuem em parceria.


Como diagnosticar a dupla excepcionalidade?

Diagnosticar a dupla excepcionalidade requer uma abordagem ampla, cuidadosa e interdisciplinar. Os profissionais devem utilizar ferramentas diversificadas, que permitam analisar tanto as forças quanto os desafios de cada indivíduo. Dessa forma, testes padronizados podem fazer parte do processo, mas nunca devem ser a única fonte de análise.


A avaliação neuropsicológica representa um passo essencial nesse percurso. Esse tipo de avaliação investiga o funcionamento cognitivo, emocional e comportamental de forma integrada. Ela considera o contexto escolar, familiar e social, além das características individuais. Assim, a equipe consegue mapear os padrões de pensamento, memória, atenção, linguagem e funções executivas.


Crianças, adolescentes e adultos com dupla excepcionalidade precisam ser avaliados por profissionais preparados para reconhecer tanto talentos quanto dificuldades. Isso inclui psicólogos, neuropsicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, psicopedagogos e professores especializados.


Essa atuação conjunta amplia as possibilidades de compreensão e garante um diagnóstico mais preciso. O diagnóstico, no entanto, não se resume a uma etapa pontual. Ele deve ser compreendido como um processo contínuo, que acompanha o desenvolvimento ao longo do tempo. Conforme surgem novas demandas, novas habilidades e desafios também se revelam.


Por isso, o acompanhamento periódico é essencial para garantir que o suporte continue adequado.

Como oferecer suporte diante da dupla excepcionalidade?

Se você percebe que alguma criança, adolescente ou adulto ao seu redor apresenta talentos incomuns combinados a dificuldades persistentes, considere a possibilidade de dupla excepcionalidade. Nesses casos, a avaliação neuropsicológica pode oferecer as respostas que você procura.


No Grupo Conduzir, realizamos avaliações completas, com instrumentos atualizados e profissionais experientes. Nossa equipe investiga com profundidade os aspectos cognitivos, emocionais e comportamentais de cada pessoa, sempre respeitando sua história, suas potencialidades e seus desafios.


Com base nos resultados, orientamos a família e os profissionais envolvidos sobre os próximos passos. Isso pode incluir estratégias pedagógicas, planos de intervenção terapêutica, encaminhamentos ou acompanhamento psicológico. 


Nosso compromisso é oferecer suporte humanizado, ético e individualizado.

Se você suspeita que seu filho, aluno ou familiar possa apresentar dupla excepcionalidade, entre em contato pelo link e agende uma avaliação neuropsicológica.

 
 

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