Interesse restrito


Segundo o DSM-V (2013), as pessoas com autismo podem apresentar dificuldades em habilidades sociais, sejam déficits na comunicação verbal ou não-verbal, na interação social ou na reciprocidade emocional.
Além dessas dificuldades, padrões repetitivos e restritos em atividades ou interesses podem estar presentes. Por exemplo, falas repetitivas e estereotipadas, movimentos corporais com ou sem objetos, inflexibilidade nas mudanças da rotina e interesses fixos e restritos com diferentes intensidades, muitas vezes incomuns para a maioria da população.
O que são Interesses Restritos?
Os Interesses Restritos são objetos e/ou assuntos que são mais importantes para uma pessoa com TEA, isto é, gostam de brincar, conversar ou perguntar apenas sobre esses estímulos prediletos, focando apenas naquilo que é de seu interesse.
Por exemplo, uma criança pode gostar apenas de carros e não engajar em brincadeiras que não tenham esses brinquedos ou não dar continuidade a uma conversa a não ser que comente sobre o seu assunto preferido.
Outro exemplo seria um adolescente com TEA que tem interesse restrito em fenômenos da natureza. Se num bate-papo outro sujeito, por algum motivo, troca o tema, o adolescente pode pedir para voltar ao assunto de seu interesse ou ter dificuldade de falar sobre qualquer outro tópico.
Interesses e flexibilidade
Os objetos e assuntos podem ser variados (desde animais até marcas de produtos), mas a característica central é a inflexibilidade em gostar de outros temas ou demonstrar dificuldades em inseri-los em conversas com seus pares ou em novas brincadeiras e atividades.
Existem algumas estratégias que podem auxiliar na inserção de novas atividades ou assuntos no contexto das pessoas com TEA, porém deve ser lembrado que todos nós temos preferências distintas e que não necessariamente devemos mudá-las a partir dos interesses dos outros.
A ideia principal é apenas aumentar o nosso repertório de conhecer e possivelmente gostar de outras atividades.
Como ampliar o repertório a partir dos interesses?
Uma dica seria utilizar o estímulo predileto em brincadeiras com outros estímulos neutros.
Retornando ao exemplo da criança que gosta apenas de carros, é possível criar uma brincadeira envolvendo outros meios de transporte, como uma cidade que tenha ônibus, aeroporto e trem.
Um super-herói salva os passageiros que estão presos no carro ou leva essas pessoas para pegar o avião e voar para uma ilha deserta.
A criatividade é importante para aumentar de maneira gradativa o repertório da criança.
Na situação do adolescente, é possível iniciar uma conversa sobre os fenômenos naturais, aproveitar esse assunto para falar sobre situações climáticas em diferentes países e então levar a conversa para comentar sobre as curiosidades de cada país, por exemplo.
Abrindo caminhos para novas experiências
Em conclusão, os interesses restritos são estímulos sobre os quais uma pessoa com TEA apresenta foco e fixação, apresentando inabilidade para engajar em conversas ou atividades que não sejam de seu interesse.
É muito importante lembrar que cada ser humano tem seus gostos e costumes, mas a ponderação é um ótimo caminho para verificar se esses interesses estão impedindo a pessoa de experimentar atividades, conversas ou brincadeiras novas.
Ao invés de bloquear tais focos, podemos utilizá-los para abrir caminhos para novas experiências.
Referências
American Psychiatric Association. (2014). Porto Alegre: Artmed.
Gunn, K. C. M., & Delafield-Butt, J. T. (2016). Teaching children with autism spectrum disorder with restricted interests. (2), 408–430.
Luís Fillipe VasquesCoordenador de treinamento do Grupo Conduzir
No Grupo Conduzir, nossa equipe multidisciplinar desenvolve intervenções individualizadas e baseadas em evidências, considerando os interesses, necessidades e particularidades de cada pessoa autista.
Os interesses podem ser importantes aliados para ampliar repertórios e criar oportunidades para novas experiências e aprendizagens. Entre em contato conosco e conheça nossos atendimentos.
O Grupo Conduzir declara que os conceitos e posicionamentos emitidos nos textos publicados refletem a opinião dos autores.


